"você nunca sabe se quer
acho que você não quer
se prender
mas mesmo assim
vive numa liberdade presa de não
querer se prender"
ansiedade. buracos no sobreolho. marcas de expressão.impressão de sangue circulando em nome de nada. especialização de 6 anos em ser inútil.sentido de sensibilidade. umbiguismo. Taismo. não faço nada mais do que ler uma mulher explosiva. deve ter alguma relação com sangue. imagino daqui uns anos essa vida desatada. essa mar de lembranças me afogando. o pulmão ficando negro. as posições de ioga todas treinadas na cama, no chão, no sofá, no chuveiro. a dor de não ter nada além das próprias lisergias quânticas de um cerebelo esquizofrênico treinado por canabinoides e personagens amigos.um se aleatório que se dedica a não ser. pode uma coisa dessa produção?
Estrela no Vazio Entupido
e era nada
eu jogo
ele joga
nos jogamos
to play
play
meu pé de ipê
insiste em porques
aqui fora é aqui fora mesmo
é eu fora de mim
é eu emprestada para
o abismo
é eu imprestável
pra que?
p o é t i c a
eu porética
põe põe tudo de uma vez
me fode me cola na parede
vai vai vai
vai a merda!
é e não é isso de nada não
a musica me entorpece os ouvidos
pra fora é aqui mesmo
raízes dos porquês
há um lugar pra ser sempre meu
eu sei
foda-se mode-on
on on on on oun ominus oun nem
ou me? ou nem? ou si? ou sem? ou si?
me! tu! la!
sempre um fim trágico
um fim
finitus
finitude
um fino
fomos
fones
Afonsos e Taiannes
no ritmono suing letras e bolhas espinafres e laranjas crocos lilases e amarelos rosas adamascadas violetas e acrilegias
embromada encantada encanada envergonhada
nao mais
vergonha de nada nao
bromelhas e açafrões silvestres
ele joga
nos jogamos
to play
play
meu pé de ipê
insiste em porques
aqui fora é aqui fora mesmo
é eu fora de mim
é eu emprestada para
o abismo
é eu imprestável
pra que?
p o é t i c a
eu porética
põe põe tudo de uma vez
me fode me cola na parede
vai vai vai
vai a merda!
é e não é isso de nada não
a musica me entorpece os ouvidos
pra fora é aqui mesmo
raízes dos porquês
há um lugar pra ser sempre meu
eu sei
foda-se mode-on
on on on on oun ominus oun nem
ou me? ou nem? ou si? ou sem? ou si?
me! tu! la!
sempre um fim trágico
um fim
finitus
finitude
um fino
fomos
fones
Afonsos e Taiannes
no ritmono suing letras e bolhas espinafres e laranjas crocos lilases e amarelos rosas adamascadas violetas e acrilegias
embromada encantada encanada envergonhada
nao mais
vergonha de nada nao
bromelhas e açafrões silvestres
domingo no ventila-dor
Em busca de novas perguntas. Meu universo está em transformação. Que bom. Ainda circulam "arte", "politica", "poder". Sentimentos. As pessoas. A estrutura. O amor. A dependência. A verdade. A imitação. Meu quarto fechado. Meu mundo de mil possibilidades. Papéis não lidos. Um corpo forte. Um coração guardado pra mais tarde. Atrás de coisas belas. O óbvio. O nada. A sensação e a realidade. O eu e o outro. O nós. A guerra. A maldade. O instinto.A paranóia. O vazio. A vida que grita, o desejo que se esconde. Onde? poesia para quem? minhas veias escritas na porta do desespero. O Desespero calmo, calminho, como um Leão sonhando com garças e urubus. Como eu mesma numa água gelada. Meu desejo dorme paciente. É um domingo e algo re-começa. Sem se perder, cheio de herança, mas é um domingo e algo me diz que é também o nível zero de uma reta obliqua. Eu e meus segredos estamos de mãos dadas. Eu e minha voz estamos nos encontrando. O canto da voz, o canto do quarto. A espera. É apenas um domingo de janeiro. É apenas uma calma vinda direto do ventilador. É apenas abstrato, concreto, parede e lembrança. É apenas fios, conexão e internet. É o bolso vazio e o corpo cheio. É o ar e o acordar, é o sol, é o cheiro. É o medo sim, não nego. Mas ele também esta dormente ao lado do desejo, se alimentando de pombas brancas sempre que boceja, em silêncio .
cotidianamente vazio de tudo
é manhã. uns cozinham. ou melhor, umas cozinham. outros pensam, falam o que querem, outros são reprimidos, outros presos no cotidiano. o molho esquenta. a gordura queima, a farinha sapeca por aqui e acolá. eu escrevo pra saber onde estou. enquanto escrevo, o mundo gira. para dentro e fora de mim eu imagino como fazer sentir o que daqui não tem sentido. trabalho e oportunidade. ambição. tempo. desgaste.há os livros por aí e minha cachola vazia e sem culpa. não há duvidas por perto. há essa vontade de se fazer sentimento. jogo e ação. e se a gente se despisse todos os dias e fosse pra rua, sem nada?
mãe
Envelheci dez anos com um diploma na mão. Criei prisões em nome da palavra filha. Envelheço dez anos em uma semana. Passeio de mãos dadas com os desafios. Enfrento, idealizo, danço, me canso, me arranco e me dispo. Me amo e me persigo. Envelheço dez anos em segundos. Remoço na corrida. Reencontro no meu útero o umbigo que me deixou no mundo. Me reconstruo e me desatino. Ando. Horizonte de mim, oriente de si, de ser, de sentir. De imaginar. Intensão de sim. Há alguma gravidade no não. Há qualquer liberdade no sim. Desprender. Desapegar. Responder com consiencia. Sim pro destino. Sim a Deus. Sim a nova vida. Dez anos se passaram. Dez anos sem entender. Dez anos sem falar o nome dela. E agora aqui, no meu útero, oxigênio, sem lembrança. Apenas mulher. Apenas ser. Conexão. Meu rosto que envelhece e minha alma que te busca, mãe. E sabe que não há colo que aconchegue. Que não há barriga que seja casa. Há o mundo, há aqui fora. Há realidade. Há um buraco no centro de mim que chama o universo pra dentro de si.
miada
um banho
filme na TV do quarto
plim-plim
chia a antena
- pô, não me venha com clichês baratos, não!
seu ruído grunhento
como abelhas entorpecidas de um cigarro
mais proibido do que tóxico.
vou desligar a TV.
è fogo na lupa.
tem um portão abrindo
minha pala aqui no chão.
interrompo o deslizar da caneta de supetão e
retorno bravamente utilizando o tempo
do abrir
entrar
o portão
caminhar
dar boa noite
e fazer as abelhas da TV entoarem um cântico
irritante e incessante em fá
fala sério
lembrei de um texto
Saudosa Aminésia
como costumam ser esses dias
ou horas de fossa
confusão
deslumbramento do caos
Portishead no som
sensualizando o barulho do ventilador
uma Lua estonteante lá fora
vai passar!
na na na na
uma musica de samba
quase Carnaval
tem a ver com Chico Buarque
safado!
sabe fazer isso como poucos
fodástico
asfixiástico
asmático
tem vezes que me sinto assim
tipo agora
e como se...
ar
pulmão
sopro é força
não me falta
é que as vezes sinto pesado
difícil de engolir a seco
tô ficando velha
perdi o fio da miada
como um gato esganado
uma garganta colada é um
gato esmagado
filme na TV do quarto
plim-plim
chia a antena
- pô, não me venha com clichês baratos, não!
seu ruído grunhento
como abelhas entorpecidas de um cigarro
mais proibido do que tóxico.
vou desligar a TV.
è fogo na lupa.
tem um portão abrindo
minha pala aqui no chão.
interrompo o deslizar da caneta de supetão e
retorno bravamente utilizando o tempo
do abrir
entrar
o portão
caminhar
dar boa noite
e fazer as abelhas da TV entoarem um cântico
irritante e incessante em fá
fala sério
lembrei de um texto
Saudosa Aminésia
como costumam ser esses dias
ou horas de fossa
confusão
deslumbramento do caos
Portishead no som
sensualizando o barulho do ventilador
uma Lua estonteante lá fora
vai passar!
na na na na
uma musica de samba
quase Carnaval
tem a ver com Chico Buarque
safado!
sabe fazer isso como poucos
fodástico
asfixiástico
asmático
tem vezes que me sinto assim
tipo agora
e como se...
ar
pulmão
sopro é força
não me falta
é que as vezes sinto pesado
difícil de engolir a seco
tô ficando velha
perdi o fio da miada
como um gato esganado
uma garganta colada é um
gato esmagado
Duas
horas. Uma hora e cinquenta e nove minutos. Uma hora e quarenta e nove minutos.
Opa. O relógio do computador esta
adiantado. A hora não passa. Eu acordo apressada pra nada. Uma corrida pra agarrar o vento. Agarrar você que não vai
chegar. Facebook. Tormento. Nenhuma das
janelas tem você. Você que sou eu. Que é essa fé que algo de bom esta aqui por
dentro. Nenhuma delas é você. Uma hora e quarenta e três minutos. O que fazer
com tantos segundos? Sinto que minhas sinapses acompanham os ponteiros do relógio
e crescem voluptuosamente me causando stress Sinto veias e fios percorrendo o
corpo e sangue e ódio e nervos e nada de flor. E eu sinto minhas mãos correndo
e minha mente escorrendo e eu aqui no sofá. Uma hora e quarenta e um minutos. Uma frase por minuto. Um
segundo por uma alma errante. Um erro? Uma maçã na boca de um Adão. Uma maçã na
cabeça de um Newton. Já começo o dia bronqueada. Magoa inventada pelo sangue
que escorre pelas pernas. Acordo molhada por esse sangue. Derramada em mim,
perdida do sono sem sonho, descanso leve . O tempo aqui rodando. As mentiras se
repetindo, vivendo na sombra de nós como espectros, como zumbis sem olhos repetindo
os movimentos numa dança infinita. E nós na outra sala, compartimentada,
acreditando na realidade. Vida, nós, os outros, eu e você. Eu e eu! é tudo que há. É essa tensão que me chupa as veias pra
dentro do corpo e se derrama tremendo em tudo que se esvai, que não volta mais,
se escorre de mim pra mim, meus segredos. Uma alma e um pedido de socorro. Socorro
e fé. Sempre que se pede ajuda se manifesta a fé, a fé de que há um outro eu
perdido por algum lugar de mim. O que é mim? Minimamente eu, minimamente o que
eu posso ser no presente. Pra cada pessoa uma pergunta, pra cada pergunta uma reticência Pra cada reticência um silencio. Pra cada silencio uma dança. Pra
cada dança uma semente. Pra cada semente uma vida. Pra cada vida uma pergunta. Pra
cada resposta um não. Pra cada não um novo começo. Uma hora e trinta e quatro
minutos. Não vou te ver mas eu vou ver outro que é você também e essa
esquizofrenia não tem fim.
fumaça
eu fumo um cigarro sem poesia
pra que você não se aproxime
eu estou do teu lado
a fumaça sobe pra tua cara
e eu continuo ali
executando
faço de conta que não ligo
me aparece um sorriso
de buchecha armada
me aparece abraços
de outros bêbados
e eu viro um Fortim pela metade
eu me viro, penso
volto pra casa me arrastando
se for preciso
mas eu não volto
eu vou atrás de você
vou descobrir o que será do seu amor
eu fico
eu espero você e todos os outros
vou embora e volto pra trás
e agora eu aqui sozinha
com o mantra
nunca mais vou beber rodando
no estomago
senti medo de estar só
pela primeira vez
na noite
véspera de feriado
feridas aqui na moral
na alma
no peito
e pessoas
e abraços
gargalhadas
escuridão
tesão
eu não
não pude chorar
me lembro de uma frase
dita em cena
"não gosto de chorar
me sinto tão consolada"
e fiquei
tem essa força
engolida de uma garrafa
a beira do nada
e eu atrás de mim
sozinha
sem bebida
sem fumaça
só o ar
e o que me incomoda
pra eu sair do lugar
pra que você não se aproxime
eu estou do teu lado
a fumaça sobe pra tua cara
e eu continuo ali
executando
faço de conta que não ligo
me aparece um sorriso
de buchecha armada
me aparece abraços
de outros bêbados
e eu viro um Fortim pela metade
eu me viro, penso
volto pra casa me arrastando
se for preciso
mas eu não volto
eu vou atrás de você
vou descobrir o que será do seu amor
eu fico
eu espero você e todos os outros
vou embora e volto pra trás
e agora eu aqui sozinha
com o mantra
nunca mais vou beber rodando
no estomago
senti medo de estar só
pela primeira vez
na noite
véspera de feriado
feridas aqui na moral
na alma
no peito
e pessoas
e abraços
gargalhadas
escuridão
tesão
eu não
não pude chorar
me lembro de uma frase
dita em cena
"não gosto de chorar
me sinto tão consolada"
e fiquei
tem essa força
engolida de uma garrafa
a beira do nada
e eu atrás de mim
sozinha
sem bebida
sem fumaça
só o ar
e o que me incomoda
pra eu sair do lugar
Asfixia
Não! não! eles não vão me vencer!
Não importa se achem meu cabelo engraçado se me perguntem em tom de brincadeira se eu já penteei o cabelo hoje, se achem minhas roupas excêntricas, não importa se eles achem que meus amigos são viados, lésbicas, tatuados, furados de peircing, não importa! Eles não vão me vencer, nem me aprisionar!
Quer dizer, importa sim! importa eu que eu pense como é que eles comem suas mulheres? se já conseguiram se divertir alguma vez na vida sem ter grana? se já se sentiram perdidos de si mesmo? se já conseguiram ficar despreocupados olhando as estrelas e imaginando de onde viemos, só pelo prazer de imaginar. Se já subiram alto numa montanha e sentiram a vertigem de olhar pra baixo e ainda assim sentindo vontade de se jogar la do alto, só pra saber a sensação de voar.
Importa perceber o medo deles de tudo que é diferente, e a fraqueza deles diante de tudo que não conseguiram alcançar , pois suas mulheres não são como as da novela, que acordam penteadas, o bolso deles tem um fundo ali bem próximo das mãos. Importa saber o que será dos filhos deles, viciados em video game, amarelos por não saber brincar ao sol, doentes de Coca-cola e sem saber subir em árvores. Mas também pra que subir em árvores né? essas crianças sabem bem como apertar botões de elevadores.
Me pergunto se já comeram o rabo de suas mulheres, se as fizeram gemer e tremer de prazer, me pergunto, se essa crianças nasceram de um gozo isolado ou um orgasmo profundo. Me pergunto se eles sabem o que é ter um amigo e não se sentir sozinho com as suas idéias sobre o mundo, que afinal serve apenas como um meio entre nascer e morrer.
Nunca souberam o que é sentir ou pensar por si mesmo por encontrar no outro um pouco desse tal si mesmo?
Vocês me desafiam, a achar uma saída que não seja aquela que destila o ódio e a vontade de mandar todos pra um outro espaço, vocês me desafiam a manter o riso e a alegria, me desafiam a manter a cabeça estudando uma saída, o que é o humano? Seres que já nascem amarrados a outros seres, sim, todos nós, seres que pertencem a gravidade, cheios de gravidez, cheios de duvidas, de desejo, cercados pela morte. Sim, saída? como se houvesse outra coisa, realidade, vida pra álem do que se vê. Acho que tem, porque a gente imagina e crê, e essa crença que na verdade faz a vida, então o problema ta na cabeça, na cabeça isolada do corpo, da presença, do simples fato de que a gente pertence a mundo conectado desde as partículas mínimas das células até as do microcósmo em forma de estrelas.
Ok, eu não tenho resposta, não tenho nada só essa sensação asfixiante. Asfixiante como um riso de um viciado em gargalhar. Já ouvi dizer de gente que morreu de soluço. Não seria possível morrer de riso? agitando todo o corpo por dentro, descolando os tecidos e explodindo as veias numa euforia eterna. Um riso que colocasse o ser na velocidade da luz, em outro plano pra transcender geral...é um sonho, um fim, uma ausência... e essa asfixia generosa que vai consumir a todos.
Feio...
triste são os amores mal despedidos.
essa angustia de um amor desamor amor
e ninguém desaparece
viciados em presença
é minha cara!
ausência
desprezo
indiferença
recalque
sabe assim,
um remorso misturado
com inveja de te ver povoando as ruas?
é estranho tentar
matar as pessoas dentro de si
mesmo sem sair do lugar
olhar baixo
acocorado
eu provocando
chamando a atenção
desesperadamente
olho no olho
sua mão tocando o cigarro
riscando o isqueiro
eu com tesão por mãos
coração palpitando
olho vazio
um silencio profundo
inspirado
atravessando paredes
buscando um caminhão de lembranças
bom te ver
seja la como for
difícil te reconhecer
escolho só o que me interessa
sempre busco
dessa vez
quase te achei.
essa angustia de um amor desamor amor
e ninguém desaparece
viciados em presença
é minha cara!
ausência
desprezo
indiferença
recalque
sabe assim,
um remorso misturado
com inveja de te ver povoando as ruas?
é estranho tentar
matar as pessoas dentro de si
mesmo sem sair do lugar
olhar baixo
acocorado
eu provocando
chamando a atenção
desesperadamente
olho no olho
sua mão tocando o cigarro
riscando o isqueiro
eu com tesão por mãos
coração palpitando
olho vazio
um silencio profundo
inspirado
atravessando paredes
buscando um caminhão de lembranças
bom te ver
seja la como for
difícil te reconhecer
escolho só o que me interessa
sempre busco
dessa vez
quase te achei.
será problema meu?
a maldade acorda cedo
a maldade mente com clareza
olhos nos olhos acreditando no sua
franqueza
falhas marcam o presente
como cicatrizes de um passado que não é
seu
a beleza se embaça num riso de
deboche
a alegria é alugada por suaves
prestações
brincadeira já não desenvolve a
imaginação
a imitação não reconhece irmãos
a maldade corre solta
confiança é um modo de se entregar
confuso com ingenuidade de olhos generosos
os olhos do mundo estão cansados e cegos
crianças fogem de ser boas
crianças fogem de ser boas
fogem de ser amáveis
a liberdade é solidão
a alegria não é sadia
o desejo é doença
ou sou eu?
Dos leoninos que insistem em rugir suavemente
tudo queimava, mas nada aquecia
Humberto Gessinger
Humberto Gessinger
Há o acaso. Há o encontro, há o que não precisa ser explicado. Há uma dose de cerveja e conhaque na minha mesa. Tem alguma coisa que me acelera por dentro. Tem sentidos a espreita, nos cercando. Tem esse mundo paralelo, intrincado no presente que transforma os instantes na gente. E eu me jogo no jogo do caos e às vezes saio enfeitada de fita, outras nem retorno. Cansei de sentir culpa. Eu já não sei o que é juízo. Existem coisas que são. Sanidade no presente quando o tempo não interfere com seus vassalos passado e futuro carregados de paranoia culpa e confusão. Tenho uma inclinação para o caos e também uma queda pra coisas que eu tento explicar e explico e verifico na prática pra de novo me perder. Seus olhos, olhos de perigo. Sua boca quente, com certeza, quente. Me investiga por dentro. Olhos que mudam de cor e é como se eu abraçasse o menino que está dentro deles. Crio hipóteses e o presente se perde no meio da mente. Seu fogo freme e ativa a transformação. Sou oxigênio solto no desejo.
mais um dos mesmos erros
Aprendi que nem toda loucura é instigante. Nem todo mundo gosta de criar segredos. Nem todo ser é um mundo aberto. Aprendo que por quês nem sempre são perguntas que querem explicações, algumas vezes um "por que" pode significar "não faça isso, não". Aprendi que o tempo não se passa sem um passado, não corre sem que haja movimento. Um corpo cansado cria alguma coisa mais pela força do que pelo sentimento. Não entendo nada de sexo, mas gosto de experimentar. E é preciso confiar para poder perguntar o que vem depois. Eu to com medo. Será culpa minha? "Eu quero conhecer todos os tipos de pessoas do mundo". Esse é meu sonho de criança. Todos os tipo, todos os cantos, todas as danças, todas as línguas, todos os corpos. Eu quero...Ah não quero nada mais...Nem dizer, nem nada, só agora. Só porque eu senti a sua vontade de me virar as costas, depois de ter entrado em mim com medo e algum sentido de desejo. Eu sorri e fui feliz. Achei que podia brincar enquanto te olhava os olhos. Bonito. Menino bonito. E de algum modo eu sempre choro. Por que sempre vai existir esse vazio e essa incerteza clara. Sempre vai existir uma semana e um dia de sol pra eu não te ver. E eu sei, menino, você não quer e não vai se entregar. Tudo bem, eu já passei por isso, pode ser que tenha mais amor em mim do que eu possa tolerar. Daí eu choro, me engano, chapo o pulmão de fumaça. Sou jovem, morena, desgosto, talvez eu tenha te forçado a estar do meu lado, na verdade você não está do lado de cá. Mas me abraçou. Eu escrevo pra desvendar o momento, não pra gostar, nem pra entender. Eu escrevo porque é assim que o tempo me abre uma brecha e eu encontro uma luz. Como um holofote apenas em cima de mim. Eu escrevo porque sei que não vai ter ninguém aqui quando eu chamar. Porque quando a coisa vira essa vontade, algo me castiga e o mundo não me surpreende. Quem escreve cria conceitos, eu crio alguns defeitos. É preciso que algo aconteça e que prenda meus sentidos pra me tirar daqui. Talvez eu tenha exagerado na intensidade, na contradição. Nada de caso pensado, só aconteceu assim, porque eu acreditei, acreditei no amor que há em mim. Ainda acredito, sem amor nada vale a pena. Gozo perdido em si mesmo, perdido na vontade de sentir. Eu vou dar um tempo pra que tudo fique em paz. Vou sumir da sua vida, me deixar em paz, te deixar com a sua própria vida. Somos tão jovens! Vamos usar a nossa energia pro que nos satisfaz...
Processos
Vim do meio, do centro, onde tudo cabe. Força que vibra,
envolve, abraça. É preciso união. Mãos dadas, irmãos. Coluna, raiz e força do que está atrás. A energia que vem do chão em espiral.
Conforta, gruda, amassa e junta. Devolve pro centro, pro
todo, onde tudo cabe. Vibra, resiste. Acalma, emana nos poros a força do centro
e acalma. Pousa, repousa e devolve. A cabeça um pouco procura, outro pouco
aceita, assenta. Pouco vê mas tudo sabe. Como se falassem com a terra, ou
através dela. Focado num passado que era
ali mesmo.
“eu vou chegar lá” – no fim da história. História que não
tem fim, porque eles ainda estão ali. Não sei se estou sentindo ou imaginando.
Exploração da terra, trabalho escravo de índios e
paraguaios, mulheres estupradas, alimento, conversa das rodas de tereré.
Me amolece o corpo, uma lágrima é trabalhada cá dentro, mas
ela não quer cair.
Quem não tem nada precisa se mover. E se mexem, rebolam,
gritam e acontecem. Aqueles que estiveram cá dentro. E os que estão ainda, trabalho semi-escravo.
Se submetendo ao domínio de um outro, ou pior, ao domínio do estomago. “tudo
que existe é a fome” e “a coragem vem do estomago”.
Um cheiro de fogo, o calor e o suor, o cheiro do mate
apressado no fogo, abatido, remexido. E muito peso nas costas. Carregando na
coluna,nos joelhos, na testa, sem olhos, sem palavra, carregando a erva, folha,
o mundo, a esperança. O verde pesado que vira pão e humilhação. Uma luz no
clarão do mato e o homem Uru. O pássaro da noite e o homem que controla o fogo
e a força do chão. Canta, grita, imagina até sem dormir.
Tá lá e vive, e não se arrepende, e sofre e não reclama,
compete, quem não tem nada tem vaidade. Quer ser admirado, quer vencer,ainda
que seja não mudar.
Depois reconheci o chão, fluído. O equilíbrio com os braços e
o quadril bem fincado nas pernas, pesando pro chão que se abria mais e mais
como se quisesse revelar alguma alegria.
E a lama ganhou ares de festa. De amor, suave e refrescante,
calmante.
Saber comparar a própria cultura, pra se encontrar, é
presente, não é passado, se faz em cada respirar.
Ela que aprendia tudo com a avó, que andava pelo mato e
conhecia os nomes das plantas em guarani, ela foi pra aula com professoras que
falavam português, que ensinavam o que? Bons modos a mesa? Não sei.
Tudo que se precisa aprender no mundo indígena está guardado
com a terra, árvore, sol, água? Será? Existe uma tal civilização e uma tal
sociedade e mais um tal contato! Era preciso desenhar no chão para entender as
palavras, então, foi aprendendo com a avó a desenhar o mundo, a inventar as
formas e a arte foi surgindo em suas vistas. Foi preciso reinventar, pois o
encontro trouxe magoa, sangue e morte.
Fez o índio se travestir e querer mandar no próprio índio.
Desautorizou os caciques em nome de um
canhão e bala de um capitão. Mas essa é uma outra história. Aqui se sabe mesmo é da história dos gemes Sol e Lua.
A Lua é vaidosa! O Sol bondoso, ilumina e aquece, faz o verde mais verde e florescer. A Lua guarda segredos, é guardiã
dos que já morreram, ilumina o caminho dos sem vida, vem pra descansar e pra
iluminar o caminho de volta pra casa.
Lua e Sol, morte e vida, do escuro e claro...tantas
histórias! O mundo é deles e nesse mundo cabe outros mundos... é tolerável o
encontro.
A dança e o encontro é tão
ancestral quanto a luz do sol. Antes de tudo havia dança, o guachiré com
alegria, na matéria disforme, sem luz que se sabia água. Então ouviu-se uma voz
e assim se fez, o bebe engatinhando por sobre a substância que se sabia água,
fez o chão se firmar e criou os quatro cantos do mundo.
Um lugar para ser feliz, amigos e o mistério. O perigo
sempre a espreita.Brinquedo curioso, terra e liberdade.
Ainda não está pronto, talvez não esteja nunca, porque essa
descoberta não tem fim.
É uma viajem, porque quem não tem nada tem que se
mover. A gente se joga no escuro da
noite, sente a terra nos abraçando, sente os segredos guardados pela Lua.
Ninguém sabe onde esse caminho vai dar. Estrangeira na
fronteira, entre ciência e a arte, entre doação e compreensão.
Há ainda o desconhecido que se obstina a questionar o que se
presencia
E eu sinto que alguma coisa
falta, sempre falta. Talvez a falta que ascende o movimento, pra preencher o
que está vazio, mesmo sendo o vazio presente. Eu sinto coisas como “vai” e essa
vontade de me perder.
Então hoje eu viajei
no vento, na cor, na dor, no cansaço, na persistência, no medo, na
magoa, na marra, na liberdade. Tem
algumas mil lembranças e tem aqueles abraços generosos.
Fazendo som de amor. É descoberta e é fita que amarra
corações alados para carregar outros de pedra. Não, é uma palavra que inexiste.
Deixa o corpo levar, sair do
lugar pra transformar, transtornar. Sem os braços e abraços eu não estaria de
pé. Aprendo Aprender a confiar no acaso. Na desestrutura. No caos. No que vem.
No encontro. Na dança. No movimento. No arquétipo. Na intuição. No laço.
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