Estrela no Vazio Entupido
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domingo no ventila-dor

Em busca de novas perguntas. Meu universo está em transformação. Que bom. Ainda circulam "arte", "politica", "poder". Sentimentos. As pessoas. A estrutura. O amor. A dependência. A verdade. A imitação. Meu quarto fechado. Meu mundo de mil possibilidades. Papéis não lidos. Um corpo forte. Um coração guardado pra mais tarde. Atrás de coisas belas. O óbvio. O nada. A sensação e a realidade. O eu e o outro. O nós. A guerra. A maldade. O instinto.A paranóia. O vazio. A vida que grita, o desejo que se esconde. Onde? poesia para quem? minhas veias escritas na porta do desespero. O Desespero calmo, calminho, como um Leão sonhando com garças e urubus. Como eu mesma numa água gelada. Meu desejo dorme paciente. É um domingo e algo re-começa. Sem se perder, cheio de herança, mas é um domingo e algo me diz que é também o nível zero de uma reta obliqua. Eu e meus segredos estamos de mãos dadas. Eu e minha voz estamos nos encontrando. O canto da voz, o canto do quarto. A espera. É apenas um domingo de janeiro. É apenas uma calma vinda direto do ventilador. É apenas abstrato, concreto, parede e lembrança. É apenas fios, conexão e internet. É o bolso vazio e o corpo cheio. É o ar e o acordar, é o sol, é o cheiro. É o medo sim, não nego. Mas ele também esta dormente ao lado do desejo, se alimentando de pombas brancas sempre que boceja, em silêncio .

Dança

Domingo... ”mais uma vez eu sei...” estupidez já vi pior?



Endoideço. E a estupidez é minha mesmo. Triste? Não, chatice. Pra que ser feliz? Onde está o sorriso que brilha? Cara ou coração?


Hoje eu quero ser sincera.


A conversa mais estranha da noite “por que as pessoas dançam?”. Talvez só por não conseguir se entender de outra maneira que não seja os corpos grudados em movimento. De fato. A nossa conversa não durou muito “qual seu signo?” “quantos anos você tem?” “que curso você faz?”. Não entendi.


Eu não entendo nada das pessoas. Tento simplificá-las nas equações da razão de modo a caber você e eu na mesma existência. Mas e daí? Cada um é um infinito em si mesmo. É o que diz a mente redonda. Mas dá, ou mesmo, há tempo para se aproximar de verdade? Há calor o suficiente? Há fôlego? Há fogo?


Sei lá, só estou tentado ser sincera. E sinceramente, tenho bronca da vida. Tem sido fácil. É fechar os olhos e ver as luzes se apagando. Sumindo aos poucos. Será difícil morrer afogado? E sufocado? Será fácil dormir um sonho de para - sempre?


Eu sempre estou aqui. De sorriso amarelo. Coluna confortavelmente encostada numa parede qualquer, terminada no pescoço sustentando a cabeça. Eu sempre estou aqui. E respiro.


Qual a sua filosofia de vida? Pelo que você se guia? Por que você respira?


Por que você ainda respira?


Conversas prontas não levam a nada. Só mantém as cercas da ilusão... eu só tenho conversas prontas, nunca estranhas umas ás outras. Minhas palavras bem que se conhecem, elas são rotineiras, cotidianas e se cumprimentam ao amanhecer. Elas não levam à nada.


...


- oi! Você dança?


- por que?


-porque você tem cara de uma pessoa que dança!


- é... tem vários tipos de dança...


-mas você dança?


- não. Eu não danço. E você, dança?


-Também não. Quer dizer eu mexo o meu corpo quando necessito dele, mas não, não danço.


E ficaram ali por um tempo sem dançar. Tomaram o último gole do conhaque e foram cada um ler o seu livro. Ela, um dicionário. Ele, um manual de sobrevivência em caso de pane num avião.


...