Estrela no Vazio Entupido

de médico e louco, todo mundo...

Cada louco com sua mania e é louco se reconhecendo. Tava eu no PAM - Pronto Atendimento - sessão de Raio X. Estranho! as pessoas que atendem lá não usam roupa branca. São gente "normal", sei lá... Sei que tava sentada, com um livro na mão, quando ela disse alguma coisa que eu nem entendi mas respondi "é" e sorri. Um sorriso é uma pequena chave. Ela continuou:
- Ta lendo é? ministério da cultura...Se fosse minha irmã tava lendo o Código Civil.
Comecei a ficar atenta ao que ela dizia. Tinha também um velho que falava sem parar do outro lado da sala, aquele papo saudoso de idoso, e a sala era pequena, todo mundo ouvia qualquer sussurro.
- Veio do que? Circular?
- Carona com meu pai...mas depois vou voltar de circular.
- Eu também vim com o pai... Tô acostumada a andar com o pai. Sou o peso pesado da família. Eu pesava 110 quilos, mas agora to com 80. Falei pro pastor que agora vou pedir pra Deus pra parar de emagrecer, já ta bom assim.
- Eita! o que você fez pra emagrecer tanto assim?
O médico trocou ou diminuiu os remédios que ela tomava pra epilepsia. Imagino que ela deve ter um monte de remédio, também confessou que já tomou todos de uma única vez...
Quando falava do Dr. X usava um tom manso, cantado, como quem busca um colo. Sabia que pra qualquer coisa que ela sentia teria um remédio. Entendi tanta coisa ali... dependência da doença, o poder que os médicos tem na vida das pessoas vulneráveis como ela. "Conheço isso aqui de olho fechado". Patricia, o nome dela, quando perguntei ela disse empolgada e me estendeu a mão num gesto charmoso "prazer!!"
Ela já foi mandada pro CAPS, já aceitou ser internada pra que não chamassem o bombeiro ou a polícia e o Samu, " esses não aguentam mais ver a minha cara" - imagino que ela já saiba o que é sair de casa amarrada...Falava de tanta coisa, mas principalmente que tudo que ela precisa (e o mundo inteiro) é de amor. Sabe como ela se diverte? Jogando truco na internet. Lá ela conhece pessoas e consegue conversar com o sexo oposto. Aprendeu olhando a irmã jogar, e as vezes passa o MSN pros caras que parecem legais e imagino que deve conversar mil coisas, a ponto da pessoa do outro lado  mandar uma dessas pra Patricia "você é louca" e sumir no mapa. Tudo que ela precisa é de umas carícias, um abraço quente, um ombro pra encostar. Quem não precisa disso? é todo mundo louco mesmo.  Tá com 25 anos e cuida da casa. Antes de entrar eu escutei ela falando: "não tô com pressa não. A minha roupa ta toda lá pra lavar, meu feijão pra cozinhar". Sarcástica. Falava pra quem será? Ela disse  que perto dos homens ela trava, não consegue falar. "sabe quando você tem tanta coisa pra falar que não sai nada, fica tudo aqui ó" - e apontou a garganta. Logo ela que gosta tanto de falar! Fomos juntas de volta pra casa.. Assim que ela entrou no ônibus puxou conversa com uma senhora que sentava no banco de trás.
Contou também que vai voltar a estudar, ia fazer EJA, igual ao pai dela  que perdeu os dedos numa serra circular e voltou a estudar aos 59 anos - "O pai ia fazer o quê? Acha que ele foi burro por voltar a estudar? Ele ia fazer o que sem mão?" E todo mundo toma remédio na família, pra alguma coisa psicológica, "ou morre de câncer".
-11 do 11 de 2011. É o dia que a gente vem buscar o exame.Olha só! é o fim do mundo mesmo!
É Patricia, é o fim, um dia isso vai acabar. Vai que do nada começa a chover flores cheirosas e do céus descem anjos embriagados e bailarinos, todos nus. E a gente também, as vestes arrancadas, a vergonha roubada para sempre e entramos na ciranda celestial pro infinito.
O que tenho são livros não lidos
essa sensação de ser um feto abortado
esse saber  que já se passou tempo demais
essa vontade de que as paredes se fechem
uma inocência que as vezes se perde na ignorância
tenho também  melodias mudas
e mudas mortas
talvez haja uma semente
regada a água salgada

Monogâmia



Uma coisa que não tem começo. Essa explicação que não tem porque não. É invasão de um horizonte que quase se pode tocar com as mãos, feito um domingo que se auto representa. Palavras que querem ser. Quase solidão.

Uma parte da questão se resolve, outra se envolve. Palavras se chamam, anunciam, reclamam ...

Entre tanta gente tão sozinha. É o que alguma parte de mim mesma pensa.
A mesma que se pergunta "o que eu fiz de errado". Sofro de amor, eu sei. E tem a outra parte que pensa: "será assim que nascem os assassinos?"

Já disse que meu amor ainda é cristão. Eu não mataria ninguém.

Outra afirmação que dá as caras na sequencia é: o fim de todas as coisas é acabar e se torna redundante dizer que qualquer coisa tem seu fim.

Armada até os dentes. 
Não ta adiantando escrever. Saudade, falta...vazio. 
Tem nome, tem corpo, tem até apelido. E não é saudade. É vontade. Desejo. Anseio. É meu corpo que se perde. As palavras que se prendem não são suficiente. 
De repente o cheiro e o gosto me invadem. Me pedem: vá se abandone, Dama, viva. Quem tem corpo tem que ter coragem. Sua presença se apresenta e me confunde. Me tira daqui. 
Trago o que tá por dentro, tencionando os músculos, tornando os passos rápidos e pesados, olhos cansados buscando uma paisagem vazia. 
Não escrever não vai fazer a dor passar. 

Tem sempre um encontro, as ruas são as mesmas desde que isso aqui se formou. Há um comprimento, um olá e um sorriso amarelo.E há sempre essa parte de mim que foge ao abraço e tem a outra parte que procura por você nessas ruas repetidas, nos halls de entrada, nos bares da cidade. Procura, acha e desvia. Cada resposta é como um golpe sem esquiva. Quem perdeu fui eu, mas não é essa a questão: perder ou ganhar. O lance é que eu tomei algumas decisões, disse um milhão de coisas e não sei se concordo com todas elas, mas o dito tá dito e não pode ser revogado com mais palavras.Tudo que existe é ação. 
Vocês estão vivendo sua vida juntos e sorrindo com sinceridade, caminhando abraçados, não, saltitando pelas esquinas. Os conselhos que recebi foram errados e talvez eu tenha dito mais coisas na busca de preencher o vazio das perguntas do que trazendo qualquer resposta.Aquilo tudo estava ridículo.
É nessas horas que a gente deve voltar pra casa e ser forte pra se olhar no espelho.

“Aguentar a barra de ser quem tu és”.

Elas, sempre elas, elas sabem mais de mim do que eu mesma.Ouço coisas como um mantra no ouvido: “vai, continua lá então escrevendo sobre solidão, sobre não saber quem você é, é mais fácil”.  Disse que sairia. 
Meia saída não é nem entrada. Tenho que acabar com isso.
Não quero mais ter noticias de vocês, não quero mais ouvir o som de sua voz, não quero olhar nos olhos, não quero saber o comprimento do seu cabelo.
Eu to ficando com ódio do mundo! 
Eu to ficando repetida. Nunca vão saber o tamanho da ferida. 
Ficou tudo assim cinza e enfumaçado e eu não consigo destapar os olhos, nem sentir nada que não seja “eu não faço parte disso”. 
E tudo tem mania de ser tão simples, no final acaba sendo tão ridículo. 
No dia em que você foi  embora eu fiquei com raiva por não ter feito de tudo pra gente ficar  junto, mesmo que não fosse só a gente...

“quem não te conhece que te compre”. 

E você disse que era eu quem arranjava o problema. Seria simples, hoje ela, talvez amanhã eu. Eu repetia, suavemente: me ensina me, me fascina. Me dá um pouco do seu tempo. Exclusivo. Não precisa de muito, mas tem que ser nosso e só. Me ensina? Me aprende em mim? 

Aprendi sim!  Egozista! 
Aquele que goza com o próprio ego. É isso. Não sei se me conheço ou se me esqueço.

Vai vivendo, minha filha, vai vivendo. 

Eu to sofrendo...Sei que vou sentir saudades e essa saudade vai se transformar... Tanta crise, tanta confusão pra entender que a merda toda já tava aí antes da gente e que a gente que veio, foi mesmo pra  fazer a diferença e assumir as consequências dessa transformação. A força ta naquele que acredita e se junta, se joga.Te olhar nos olhos me fez ver coisas desse tipo. 

Agora to sentido os (de)efeitos de um passado bem próximo e apressando o futuro. É assim que a humanidade sofre, sem desculpa ou justificação. Ser mulher tem dessas coisas, dessas faltas, dessa vontade sem nome, ou com sobrenome e tudo mais, essa coisa de amor pra dar. Menos né, nem tão amor assim.
Ou é?
O sexo...
Uma transa como um momento de devoção e louvor ao corpo, a matéria que forma a alma...é assim que se cura. 
Aqui só tem um monte de palavras enfeitando os sentimentos e eu gosto de escrever. Palavra também é ação. Pelo menos é o que eu quero acreditar.
Espero que quando a gente se encontrar eu já tenha me libertado das mentiras que o mundo me conta! 

Era pra ser outra coisa

um palco cheio de coisas, garrafas, sapatos, velas, capacete, luz de natal, roupas, uma tela branca ao fundo... só pra exemplificar, sem qualquer pretensão de criar uma imagem fidedigna do que estava rolando lá naquela atmosfera. o teatro lotado, um domingo frio e o hall de entrada cheio de gente. atrasado pra manter a tradição do nosso teatro municipal. a canção, um pouco desafinada em que toda a equipe cantava uma coisa que falava de chuva. entrada. o publico no palco em cima das arquibancadas, não coube todo mundo, gente sentando no chão e aos redores. apertados. "nem todo signo tem seu significado". um carrinho de mão gigante em que um homem carregava três pessoas que sorriam com os olhos, um olá fraterno ao publico que aguardava, ou um convite sensual. Tempo.  o tempo de cada um, de cada si. desconexo. o nosso grande destino é acabar. momentos de pessoas, não personagens, nada de interpretação, era vida. vivos, no seu quadrado como é mesmo o mundo.vivos. o dia mais feliz da sua vida. o tempo pra você. uma lembrança. uma esperança. tem esse quadrado fundado em utopias "é como o sonho de ícaro" ele dizia enquanto se equilibrava tentando voar. Asas a utopia. tempo. "ainda tenho tempo?" tinha. frases se espalhavam espelhando autores famosos. arte. devaneio. espectros. cotidiano. sonho. indignação. liberdade. corpos enfrentando outros corpos, com paixão, como um grito da (in) consciência presa nos olhares atentos. outros feitos desfile de gente antiga falando de lucidez. Começo com os técnicos andando de um lado pro outro, com o tempo descontrolado, era pra ser outra coisa falava de amor,  como aquilo tudo que nos resta ou o que basta. sentido, eu tenho sentido. "navegar é preciso, viver não é preciso".

"Era pra ser outra coisa" - é um espetáculo realizado pela primeira turma do curso de Artes Cências da UFGD, com encenação de Gil Esper...acabei de sair da platéia, me deu vontade de escrever e escrevi...não é sobre, mas com...valeu galera!

de um céu cinza e das poças amareladas que ainda vou cruzar

tem dias que as pessoas me incomodam. dias em que a presença de outros seres me condena, me reprime. tem dias que eu tenho medo do mundo e do futuro.
saí de casa armada. uma ponta acesa na chuva e muitas dores.  conclusões precipitadas e outras nem tanto. eu estava pronta a desprezar qualquer olhar. estou ficando feia. uma carcaça me envolve e me endurece. estou ficando cansada as seis da tarde.
saí, com meu guarda chuva de balas aberto, assim, todo furado das bombas que ele já tem levado. hoje não estava tão frio. mas aquele lugar ainda assim é sombrio e cinza demais no que me diz respeito. eu mesma sou falsamente sóbria e algo me sobra como eu nem imagino. os medos atormentam mas os monstros ainda são moinhos de vento e eu urjo! quase uivo! acho que ainda cabe meus tormentos. eu só fico imaginando se é preciso mesmo me salvar.

Auto-Escola

- Quer um conselho de amigo: abaixa a bolo um pouquinho. Esquece que você faz parte de faculdade e aquelas coisa toda. Faz de conta que aqui você entrou em um outro mundo. Aqui é você não conhece nada.
Abre tua mente, foi o que me disse o professor da auto-escola.
Dizem que gente do signo de aquário tem problemas com regras, normas, hierarquia e que tem manias de saber de tudo e por isso correm o risco de se tornarem excessivamente egoístas e arrogantes. Pois é...já faz um tempo que eu to tentando tirar minha carteira de motorista. Depois de tantas caronas na vida e desse tempo de aula, eu vejo o carro como uma pequena casa. Um canto. Um lugar fechado a quatro paredes que se locomove pelo espaço e que dentro dele você e os demais estão parados, então o  tempo que se passa ali dentro é um tempo de espera enquanto não se chega ao objetivo, e esse tempo, - apesar da concentração que se deve ter no trânsito e no mundo externo ao carro que tem um tempo muito mais rápido, alias, tem vários tempos e fluxos de movimentos intercalados- ainda é um tempo vazio. Ele tá  para ser ocupado por pensamentos e principalmente com interação, diálogos entre as pessoas que estão habitando o auto-móvel naquele instante. Assim  a proximidade das pessoas naquele curto espaço de tempo de cinquenta minutos de aula pode ser grande, porque o espaço é pequeno e de algum modo isolado para as pessoas que estão dentro dele, facilita a intimidade. E eu tenho um instrutor que é no mínimo excêntrico.
Um instrutor, no caso, é uma pessoa que recebe uma grana pra fazer você aprender a obedecer as normas de trânsito. Ele passa mais de oito horas trafegando pela cidade e enquanto isso vai tentando conhecer seus alunos, conversando amigavelmente, fazendo piadas (sem graça) pra que a pessoa não fique nervosa. E quando ele fica nervoso (o que não é tão difícil) ele cantarola as  músicas sertanejas que ouve pelo rádio ou desvia a atenção para um pássaro que voa, ou qualquer outra coisa que estiver pelo caminho que sirva pra desviar a conversa da coisa neurótica que ela pode se transformar.
No começo a gente foi se conhecendo, perguntava sobre com quem eu moro e ele também falou de sua família, descobrimos que os pai dele já trabalhou com um tio meu. Isso dava segurança, pois se eu duvidasse da integridade dele poderia perguntar pra esse tio quem é o tal instrutor. Acho que ele ficou animado com essa possibilidade, com esse elemento de  "confiabilidade" que ele encontrou. Também já conversamos sobre os gostos e modo de vida. Ele já foi um velho divorciado,  que andava pelas festas da cidade, até mesmo nas casas de rock, mas hoje ta casado, diz que é católico (guarda feriados) e a sua mulher já veio com dois filhos na mala. Fazia algumas piadinhas sobre meu modo de dirigir "mas você tem o pézinho pesado heim" que merda! Aquilo me acelerava o sangue, é péssimo quando alguém tenta persuadir uma opinião ruim com uma brincadeirinha jocosa. Isso deixava a coisa muito mais pesada. Fora as piadas machista, claro, não podia faltar. "deixa passar a loirinha, se fosse um macho a gente não deixava não",  isso nem me incomoda tanto, eu pensava "pobrezinho, ainda com essa mentezinha do século passado e se achando engraçado, ou no minimo simpático." Comecei a achar que ele era um fanfarrão, que nem sabia direito o que estava fazendo. Além disso, ele não me deixava errar pra aprender, ele enfiava a mão no volante pra concertar o erro antes mesmo de eu perceber que tinha errado. discutimos sobre isso e ele falou que no "transito não tem tempo pro erro, se errar já era, você está conduzindo uma coisa que pode matar". Tudo bem eu pesava, mas aqui estamos "aprendendo", assim como você tem o seu jeito de ensinar eu tenho o meu de aprender",e ele retrucou que não, o jeito de ensinar é um só que eles aprendem em cursos por ai, que os psicologos falam de tal coisa, mas ele nunca me explicou esse jeito. Alias ele não explica nada. O jeito dele falar é meio ansioso, as vezes fala como uma pessoa que esta numa caminhada acelerada, sabe assim faltando folego e comendo as palavras. As vezes ele respirava e começava de novo a mesma história que não explicava as origens das coisas mas sim queria me fazer decorar o modo operandi do equipamento. Eu não funciono desse jeito, eu só funciono do meu jeito. Comecei a ficar descrente da sua capacidade de me ensinar. Medo, obediência e respeito começaram a se confundir na minha cabeça. Surgiu a arrogância. Os comandos dados não eram obedecidos no ato e eu errava a vontade. nem troco olhares com ele, nada de pedir confirmação. Fiquei só errando até agora. E ele estava agora me ensinando. Acabei aprendendo sim, mas foi mais sobre humildade. Aprender qualquer coisa começa em saber que eu não sei e assumir que alguém sabe mais  do que eu sobre aquela coisa. Ser humilde é entender que você precisa precisa do outro, precisa que este outro te guie por um caminho desconhecido. Eu comecei a enxergar essa falta de "humildade" em mim quando errei e pra todo erro começava a ter um motivo, no fundo tava querendo ter sempre razão. Mesmo assumindo o erro eu procurava achar um culpado que não era eu mesma.  Não adianta! isso é arrogância, porque com isso tô querendo dizer que eu não erro nunca, só erro porque outra pessoa me fez acreditar em algo que me confundiu. Pra mim isso acontece quando a gente julga o outro, condena sua potencia como ser por aquilo que ele nos mostra, um julgamento que acontece pelas condições que a gente mesmo monta. Teve um dia que eu levei um CD pra ouvir durante as aulas. Eu tava cansada daquele sertanejo nojento da radio. Esse dia foi foda! Eu dizia "amplie seus horizontes! Além de ser uma aluna muito simpática eu ainda trouxe coisa nova pra você conhecer! te apresento um novo mundo" ele retrucava "eu já abri  meus horizontes já faz tempo...já, já gostei de rock, de MPB, de axé, de dance, já gostei de sertanejo.. blá bla blá...agora musica pra mim tem a ver com meu humor, quando eu to bravo, eu escuto musca de bravo; quando eu to manso musica de manso; quando eu to com dor de corno eu escuto um sertanejo ..mas isso daí que você ouve é o quê? musica de quê?" e gargalhava ao meu lado.
- Gente de teatro gosta assim de musica experimental, eu falei
- Experimental é!...isso dai é música de gente que gosta de ficar viajando, fumando unzinho, isso que é!
- Também, eu disse.
- Ah essas musiquinhas aí são boas pra dormir. Desse  jeito eu vou cochilar por aqui, ele falava enquanto bocejava, muitas vezes. Outras vezes exclamava "oh um sambinha dos anos 30, esse é bom!" e assim foi, nossa aula atormentando seus ouvidos com uma realidade que ele nunca se deparou "ai ai...é cada coisa que me aparece" ele dizia entre gargalhadas e eu desconcentrada pois tinha provocado o professor que agora nem tava me dando aula, tava era tirando do meu estilo, meu gosto e pior ainda: eu respondia.
Depois disso ele mudou comigo, alguma coisa na vida dele ficou diferente. Agora a gente não conversa mais sobre nós mesmo, e tem pouca ou quase nada de brincadeirinha com a minha pessoa. Sei lá se foi por causa dessa provocação com as músicas, era um CD cheio de musica esquizita, de outros países, incomoda um pouco pra quem nunca foi atras disso. Ou então essa mudança é  por causa da tensão que ta rolando nessas aulas, as tais balizas e estacionamento. Foda! e o que deixa a coisa pior é que eles querem fazer você passar na tal da prova e nada além disso. Pra isso você tem que decorar o esquema: "passa a primeira estaca, olhe a direita, passa as três olhe no retrovisor do meio" não tem qualquer apoio lógico nessas instruções, você apenas deve fazer o que ele tá falando e se dar bem na prova. E eu fico puta com isso! O objetivo nem é você aprender dirigir mas sim fazer você obedecer as leis dos caras que avaliam, os caras do Detran, ou melhor, os representantes do Estado que controlam a conduta de quem quer ir e vir pelo espaço. Esses são os superiores dos instrutores e eles tem metas a cumprir, um numero x de alunos deve passar nos exames mesmo com todas as frescuras dos avaliadores, caso não atinjam esse numero de aprovados quem sofre as consequências é a empresa da auto-escola, ou seja, o patrão, o que causa uma dupla pressão na cabeça do instrutor- estado e mercado! sempre eles. Uma merda! o jogo tá em todo lugar! esse esquema é totalmente brasileiro e abre brechas pra dar "jeitinhos" e criar "macetes". Mas eu to aprendendo! não dá pra ser do meu jeito, mas tem que ter um jeito. Sou brasileira po! E também sou aquariana! Ainda bem que não sou taurina ou libriano, se não já ia apelar pra teimosia! por enquanto to apenas tentando a humildade, o saber que não sei e que não sei de verdade, não um não sei por estar confusa com o que sabe e não estar calma e plenamente consciente pra por as coisas nos seus lugares e achar um sentido. É foda quando a gente percebe que está agindo como aqueles que a gente condena, no caso, com arrogância do diploma universitário, e olha que eu ainda nem tenho esse troço! Nem acho que a minha arrogância venha daí, é mais de mim mesma, com ou sem diploma me falta humildade e liberdade de mim. Nessas horas eu lembro do Lobo da Estepe, do Hermann Hesse. Eu enrolei uns quatro meses ou mais pra terminar de ler esse livro e ultimamente ele tem feito bastante sentido pra mim....mas isso é outra estória. Por hoje chega, já tá ficando chato e tá frio, meus dedos estão duros.
se você prometer não me ligar no dia seguinte
eu posso voltar a te encontrar
se comprometer a me esquecer
transforma a lembrança do meu cheiro em mais uma dose de fortim
ou conhaque pra curar a ressaca
eu não tenho nada planejado dessa vez
alguma coisa no sorriso de alguns caras
me levam a lugares desconhecidos de mim mesma.
se você me procurar eu vou fujir.
se você me ligar eu vou abaixar o tom de voz e
vou dizer que não
escrevo
entrelinhas travadas
o perfume e a loucura
eu to procurando um motivo
pra não sentir
tuas mãos 
no meu corpo
buscando motivo pra me encaixar
eu aqui
usando palavras
barricadas
mandei mensagem no celular
você sabe
confusão não é desculpa
é culpa
confessa
se não sente...
já disse que quero ser tua amiga
mas
amigos não cancelam cervejas num feriado
grande merda essas palavras com ponto final.

Sofia


A lua, rua, neblina em dezembro. 
A cara de Dona Sofia: distância no olhar e pinta de superioridade.
Ela quer saber, ela quer saber de todas as coisas. 
Não é apenas uma questão de informação, não. 
Ação-reagente-reação.
Ela quer saber o porque as pessoas se unem, se olham, se beijam, se amam, se juntam, se constroem e acabam.  Ela abre bem os seus olhos, persegue cada gesto,  palavra, som
Ela não sabe
Não sabe resolver a equação que se movimenta nos olhos apressados em busca de consolo, atenção. 
Não tem segredo, mas ela não vai deixar de procurá-lo.
Não tem mistério, mas ela vai inventá-lo.
Existe algo em ser humano que não sai da sua cabeça. 
Existe algo em crescer, em saber que existe dor pelo caminho e que não é permitido parar
Continua.
Não pode sair se mostrando quando esta vazia. 
E ainda assim, é incapaz de desaparecer. 
Ela que não cria metáforas, se esconde simplesmente.
Mente.
Poder e culpa, caminhando lado a lado, braços dados, passeiam na praça, olham para o jardim. 
Conceitos.
Sofia entende:  Deus é o cara que deu nome as coisas.
A terra gira. O sangue circula. Palavra é ação e caminhar é vida.  









O espelho nos dá esta sensação mágica de, subitamente, tomar consiência de si mesmo. É o momemnto que você se encontra com o que você representa para o mundo. "Ah, então é assim que eu sou." Repare que em  frente do espelho a gente sempre faz uma careta. É porque achamos que somos diferentes daquilo que realmente somos. Então, a prícipio, naõ acreditamos muito naquela imagem. Até achamos  graça. Depois a examinamos direito, e viramos de perfil, de costas, mexemos o cabelo e dizemos: "olá, como vai?" Espelho sempre foi uma coisa importante na minha vida. Eu adoro me ver num espelho, apesar de sentir certa vergonha se houver outra pessoa do lado. . Em banheiro de rodoviária, por exemplo, sempre finjo que estou espremendo uma espinha, quando quero me olhar por mais tempo no espelho. Sempre que vou a uma festa e estou bêbado ou chapado, me tranco no banheiro e fico horas me cagando de rir na frente de um espelho: "olha lá você, safado. Está doidão".

de: Feliz Ano Velho- Marcelo Rubens Piva

a favor da minha cabeça


Ando pensando demais, indignada de muito e sei que vocês também. o mundo está meio assim assado, complicado nos deixando instigado! ando sabendo que a gente tem que comunicar com a nossa aldeia. de algum modo e sem muita escolha a gente faz parte do que nos rodeia. não somos os mesmos, mas estamos no mesmo espaço, terra, TERRITÓRIO . falando nisso, fiquei indignada por terem cortado uma Figueira que ficava próxima ali da entrada pra facul...além de ser uma VIDA, ela também compunha a nossa paisagem, principalmente de gente que vai pra faculdade todos os dias...faz uma falta danada. (DÁ NADA?).  nossa paisagem tá mudando. o sol tá cada vez mais torrando e as generosas árvores  cedendo lugar para condomínios  (com - domínios) e  mais prédios pra abrigar confortavelmente os novos estudantes da tal cidade universitária. E a gente não vai fazer nada? pra mim isso é patrimônio vivo (patrimônio vivo? meio nacionalista?) . o nosso verde-vida precisa estar enraizado pra ser respeitado, precisa se transformar em cultura e pra isso uma das coisas que tem que acontecer é ele ser representado , através da musica, do teatro, do desenho, da poesia...sei lá...através das coisas que a gente gosta de fazer. não só as arvores, mas outras vidas precisam de mais respeito, como as vacas e porcos, só pra dar um exemplo...a gente que faz parte da tal resistência precisa representar para fazer imaginar. refletir o quanto as pessoas são cruéis e ridículos por ignorar diferentes fatos e mortes que essa cultura, ou mono-cultura engrandece...minha cabeça tá fervendo e outras estão rolando por aí... tudo que a gente precisa é agir, ocupar nosso tempo com ação não só com reflexão e dar um chacoalhão no mundo que nos cerca. ando aprendendo que não posso ser ignorante com o mundo. achar que eu não faço parte do esquema só por não concordar com ele não ajuda em muita coisa. o que ajuda é estar em movimento, criar a dança! comunicar com o que nos entorna! expressar... e de repente a nossa contra-cultura transforme a tal cultura e a gente tenha novas duvidas e outras indgnações pra botar pra rua. 

Hoje Sou vogal ao tom de Ah.

Cansada dessa melancolia, dessa falta de amor próprio, ou excesso dele. Eu sou uma fracassada, você é um fracassado. Nós somos irmãos. Façamos da nossa vida um circo e espanto, reduzimos o desprezível ao seu lugar: no riso que nos faz e desfaz  em caras retorcidas e disformes. Esperamos insaciados a ação do tempo que nos mata pra nada.

 
“Você escreve bem explicadinho” precisava mesmo era de fúria e febre.
Eu não caibo aqui nesse canto do quarto. Pernas trançadas, cadeira de lado, encosta, empurra. Papeis abandonados. Lençol enfumaçado...eu não me caibo nesse canto quadrado. Não caibo aqui entre palavras enroladas consoantes.

Eu assumo,mas e daí?

furoto


Faz tanto tempo não é? Talvez as palavras não demonstrem o que eu tenho sentido ou vivido. Também não tenho certeza se o que passou é importante, pra mim ou pra você. O tempo talvez sirva exatamente pra mostrar o que importa.
Ha pouco lembrei do personagem do filme Superoutro que dizia: “eu não quero saber de tudo não, se eu souber de tudo não vai ter mais nada pra eu saber”... e eu diria: eu não quero saber quem eu sou não... mas esse pensamento tem me tirado a paz. Não sei se me conheço ou se me esqueço. Estou a me procurar, me crio, ao mesmo tempo, me engano. Não existe segredo, mas eu vou continuar procurando.
Às vezes me sinto um parasita, que invade a alma das pessoas e suga o que elas são, um inseto de olhos grandes e faminto de vida...Ouvi que eu não percebo o outro, apesar de sempre dizer que entendo esse tal outro. Me disseram que é como se eu ouvisse ou percebesse só aquilo que me serve, o que me agrada, ou o que me aproxima do segredo fantasma e que me faço de desentendida pra não ter que dar uma resposta ou tomar uma atitude.
Aquilo que eu chamaria de distanciamento e compreensão era o que eu achava ser a minha maior qualidade. Hoje, essa mania de analisar as pessoas e fatos, o tal "entender" tem me tornado arrogante. É como se eu tivesse formulas pra sentir as pessoas, colocando elas numa lógica de causas e efeitos inventados pelas minhas paranoias. Isso não é sentir, o que dá a razão pra quem falou que eu não percebo os outros. Eu queria muito que essa pessoa estivesse mentindo. Mas quem mente pra mim mesma sou eu.
 Viver é se envolver. 
Não sinto tristeza. Não sinto quase nada e isso é muito ruim. Me sinto como um ex-drogado que esta na fase final da clinica, a fase de voltar pra casa. Hora de encontrar as pessoas “que te amam de verdade”. Um ex-dependente voltando pro seio familiar. Não sinto nada, nem vontade de aproveitar a droga de novo. Essa sensação de recomeçar... É diferente. Eu recomeço com a sensação de ter errado. Mas talvez se não errasse não teria que recomeçar e tudo ficaria na mesma. Mudar não é a solução, aceitar também não. O melhor seria se tudo que eu vivi, criei e senti tivesse me aproximado mais de mim, do que eu sou, daquilo que me faz única e que me fizesse ter um sentido no mundo.Mas eu sei lá o que aconteceu...
Então, não é bem recomeço, eu ainda to aqui na casa do meu pai, ainda não tenho trabalho, não tenho profissão, não terminei a faculdade, não sei quem eu sou...nada de novo. 
 Tem muita coisa mal resolvida aqui dentro deixando as coisas obscuras, culpa do medo. Medo de conhecer quem eu sou e não ter mais nada pra saber.


A Culpa Foi Minha

Roteiro e direção de Klber Felix - o Birigui.
Conheço esse cara faz uns quatro anos. Um tempo considerável de conversas em mesas de boteco solitárias, doses de conhaque pela rua e planos, muitos planos de abraçar o mundo com aquilo que a gente sabe fazer: expressar sentimentos e inventar histórias. Contos, narrativas, poesias daquilo que a gente vive aqui, experiências do nosso tempo, juventude 2000, almas periféricas. É nóis tudo contra esse mundo de valores avessos ao prazer, contra essa máquina repressora e a favor do nosso caminho.
O Kleber tinha ido embora pra Rio Preto, viver outras experiências, sem fugir muito desse mundo da juventude 2000, universitários e o caralho que tem por aí e por aqui. Ele continua na luta, vendendo seus pocket books quase autobiográficos sabendo cada vez mais qual o seu caminho ou não, mas sabe que nunca vai parar na pista.
A gente sempre planejou fazer alguma coisa juntos. Eu não sei bem qual é a minha: escrevo, atuo, malabarizo, danço e agora tenho uma câmera. E o Birigui tinha uma peça e teatro escrita, aliás, várias. Vivia me oferecendo essas peças: "vamos montar Taianna, você vai ver, vai ser legal". Dessa vez eu disse sim, mas não como peça e sim como o roteiro de um filme.
Conta a história de  dois amigos que moram juntos, Pedro e Ricardo.O Pedro perdeu a namorada. Já o outro nunca se apaixonou, só pensa em curtição.  O tempo em que acontece o filme é depois da morte da mina do Pedro. Esse cara sofre de tristeza e culpa pelo que se passou e  nunca saí de casa. Enquanto o outro se diverte pela rua, aproveita a vida como se nada tivesse acontecido e relembra  os velhos tempos tentando animar  o amigo. Acontece que esse cara feliz se apaixona pela mina do cara que matou a Paula. O assassino saí da cadeia e ameaça matar o Ricardo. É  a oportunidade que Pedro esperava de se livrar da culpa , tentando ser heróis mais uma vez salvando Ricardo. Como uma prova de amor e amizade, Pedro saí preparado pra briga e acaba morto. É esse o enredo da história.
A gente só precisava de dois atores. Mas eu e o Birigui  não somos muito socializados com o pessoal das artes cênicas daqui. E fazemos as coisas por nós mesmos, com gente que a gente confia e gosta. Nada de anormal né, a arte tem que ser feita por quem sente. E a gente tem a sorte de conhecer gente com atitude e vontade. Gente como a gente, que busca e sente.
Foi aí que surgiu os planos com os guri da Ment'Ativa - os mano de Corumbá. Um cara que faz ritimo e som com as palavras, que solta a voz e o verbo do jeito que eles chegam na mente, eclodindo, vibrando com aquilo que vive e pensa, planta e medita . E tem o outro que faz a mesma coisa, mas ele usa pra isso o som das cordas, sentimento punk pulsando nas veias. Eles formam a banda e vão encontrando gente pra somar no som original. Faça você mesmo. Mesmo sem os recursos eles vão fazendo seu som com qualidade e tesão. É Rock é Rap é Punk é Psicodélico e é Ação.Um elo que se sente de longe. Eram eles, dois irmãos da rua. Um tranquilo , sorriso aberto, fala pouco e toca muito. O outro, toca o terror, fala muito e agita o tempo e o espaço.  O pior é  que eles tinham brigado uns dias antes da proposta do filme. E brigado feio. Nada melhor do que criação, experiência e vivência pra uni-los de novo. E deu certo. Eles aceitaram o convite e foram ficando na paz um com o outro. A gente ficou uma semana e meia ensaiando. O Birigui "treinando" seus atores e eu viajando nos planos de imagem e fotografia. Depois mais uma semana filmando e editando.
Um trampo do caralho! O Birigui tinha seus planos - o roteiro, mas a gente escolheu como personagem principal um cara que trabalha com free style. Ele não decorava o texto de jeito nenhum. Ou se decorava não sentia, não fazia sentido nenhum aquelas palavras. Mas ele era o cara que a gente queria pra fazer o personagem Ricardo - o sarrista. Então a gente teve que trabalhar. E o  Kleber, o diretor, teve que desapegar do seu texto, permitir que as palavras se moldassem ao ritmo desses caras. Daí a  coisa foi se tornando cada vez mais verdadeira. A dedicação foi intensa. A convivência e a confiança caminharam juntas. Teve também a Marcella, a mina que cedeu a casa e o espaço pra gente gravar, ela atuou no filme também. No começo a gente achava que a participação dela seria tipo de  figurante, mas ela foi a Paula- o motivo de toda a história do filme, papel quase principal!
E foi louco porque são todos "não atores" e nós "não diretores". Só o que a gente tinha era um roteiro e uma trilha, música da Ment'Ativa que a gente sacou que tinha tudo a ver com os sentimentos que o filme queria passar, intuitivamente. E foi tudo criado junto, um processo altamente coletivo de troca de idéias e vida.
 Agora a gente tem um filme. Um curta de 18 minutos, quase 19 (seria um média?). Feito com uma camera digital e uma equipe de cinco pessoas apoiadas pelos amigos, pelo Hélio do Ferro Velho, o tiozinho seu Laudir - dono do bar; o primo de um dos atores que ajudou na gravação da trilha sonora, meu pai que emprestou umas lampadas de jardim que salvaram a gente e todo mundo que mentalizou energias positivas!
Agora é domingo. Teve a pré-estréia (a estréia de fato vai ser em Corumbá, acho que no Cineclube de lá). Choveu pra caralho. Deixou uma ar de chuva de domingo, aquela preguiça e uma névoa no céu. As ruas todas molhadas, o clima meio amarrado. Acabou com umas dez pessoas de público, lá mesmo na casa da Marcella, público pequeno mas eram os nossos brothers mesmo!
Esquizita essa sensação final. A chuva tá dando o tom de finalização e ao memso tempo recomeço. O cinema tem esse lance de ter um produto final fechado, um dvd pronto pra ser divulgado, mas quem assiste não sente todo o processo como a gente sentiu e viveu. Normal né. Massa é que se pode ter esse tal "produto final" e ver e rever e cada nova olhada um novo sentir, não é não? Eu bem sei disso, já vi tantas vezes aquelas imagens! Dá vontade de fazer tudo de novo e melhor. Mas já foi e o que eu tenho a dizer na verdade é: Valeu Galera! A Culpa Foi Nossa! Agora tem que assumir! Esse é só o primeiro!

Frescura

E mais uma vez você chegou. Ridícula. “que mania é essa de andar como se no chão não pisasse?” madrugada engrenada. O caroço incrustado na garganta , a espinha curvada. Mentiras se tornam almas vagando no espaço do quarto. A esquizofrenia é epidemia moderna.  

meus heróis...

incompreendidos
que destroçam o que fizeram de si
se refazem em quartos solitários. 
os que se alimentam de palavras
se deliciam com o movimento dos olhos
não são exatamente felizes
os que bebem muito
inventores de si mesmo
não sentem culpa mas responsa
aparentemente parados
os que tem um vulcão nos olhos
escutam com a alma
não acreditam quando vê
e voltam a cabeça pra olhar de novo
nada entendem
os que criam e não se escondem
os que somem.

flor...


pra sentir-se futuando...delicadamente solta no ar.