Estrela no Vazio Entupido

Um fim de semana
Fim de noite
Fim de nada
Meio que era eu ou era você
Sem entender
O gosto de nós
Meu silencio em desarmonia comigo
A sós

será problema meu?


a maldade acorda cedo
a maldade mente com clareza
olhos nos olhos acreditando no sua franqueza
falhas marcam o presente
como cicatrizes de um passado que não é seu
a beleza  se embaça num riso de deboche
a alegria é alugada por suaves prestações
brincadeira já não desenvolve a imaginação
a imitação não reconhece irmãos
a maldade corre solta

confiança é um modo de se entregar
confuso com ingenuidade de olhos generosos
os olhos do mundo estão cansados e cegos

crianças fogem de ser boas
fogem de ser amáveis
a liberdade é solidão
a alegria não é sadia
o desejo é doença

 ou sou eu?

Dos leoninos que insistem em rugir suavemente

tudo queimava, mas nada aquecia
Humberto  Gessinger


Há o acaso. Há o encontro, há o que não precisa ser explicado. Há uma dose de cerveja e conhaque na minha mesa. Tem alguma coisa que me acelera por dentro. Tem sentidos a espreita, nos cercando. Tem esse mundo paralelo, intrincado no presente que transforma os instantes na gente. E eu me jogo no jogo do caos e às vezes saio enfeitada de fita, outras nem retorno. Cansei de sentir culpa. Eu já não sei o que é juízo. Existem coisas que são. Sanidade no presente quando o tempo não interfere com seus vassalos passado e futuro carregados de paranoia  culpa e confusão. Tenho uma inclinação para o caos e também uma queda pra coisas que eu tento explicar e explico e verifico na prática pra de novo me perder. Seus olhos, olhos de perigo. Sua boca quente, com certeza, quente. Me investiga por dentro. Olhos que mudam de cor e é como se eu abraçasse o menino que está dentro deles. Crio hipóteses e o presente se perde no meio da mente. Seu fogo freme e ativa a transformação. Sou oxigênio solto no desejo.

mais um dos mesmos erros

Aprendi que nem toda loucura é instigante. Nem todo mundo gosta de criar segredos. Nem todo ser é um mundo aberto. Aprendo que por quês nem sempre são perguntas que querem explicações, algumas vezes um "por que" pode significar "não faça isso, não". Aprendi que o tempo não se passa sem um passado, não corre sem que haja movimento. Um corpo cansado cria alguma coisa mais pela força do que pelo sentimento. Não entendo nada de sexo, mas gosto de experimentar. E é preciso confiar para poder perguntar o que vem depois. Eu to com medo. Será culpa minha? "Eu quero conhecer todos os tipos de pessoas do mundo". Esse é meu sonho de criança. Todos os tipo, todos os cantos, todas as danças, todas as línguas, todos os corpos. Eu quero...Ah não quero nada mais...Nem dizer, nem nada, só agora. Só porque eu senti a sua vontade de me virar as costas, depois de ter entrado em mim com medo e algum sentido de desejo. Eu sorri e fui feliz. Achei que podia brincar enquanto te olhava os olhos. Bonito. Menino bonito. E de algum modo eu sempre choro. Por que sempre vai existir esse vazio e essa incerteza clara. Sempre vai existir uma semana e um dia de sol pra eu não te ver. E eu sei, menino, você não quer e não vai se entregar. Tudo bem, eu já passei por isso, pode ser que tenha mais amor em mim do que eu possa tolerar. Daí eu choro, me engano, chapo o pulmão de fumaça. Sou jovem, morena, desgosto, talvez eu tenha te forçado a estar do meu lado, na verdade você não está do lado de cá. Mas me abraçou. Eu escrevo pra desvendar o momento, não pra gostar, nem pra entender. Eu escrevo porque é assim que o tempo me abre uma brecha e  eu encontro uma luz. Como um holofote apenas em cima de  mim. Eu escrevo porque sei que não vai ter ninguém aqui quando eu chamar. Porque quando a coisa vira essa vontade, algo me castiga e o mundo não me surpreende. Quem escreve cria conceitos, eu crio alguns defeitos. É preciso que algo aconteça e que prenda meus sentidos pra me tirar daqui. Talvez eu tenha exagerado na intensidade, na contradição. Nada de caso pensado, só aconteceu assim, porque eu acreditei, acreditei no amor que há em mim. Ainda acredito, sem amor nada vale a pena. Gozo perdido em si mesmo, perdido na vontade de sentir. Eu vou dar um tempo pra que tudo fique em paz. Vou sumir da sua vida, me deixar em paz, te deixar com a sua própria vida. Somos tão jovens! Vamos usar a nossa energia pro que nos satisfaz...

Processos


Vim do meio, do centro, onde tudo cabe. Força que vibra, envolve, abraça. É preciso união. Mãos dadas, irmãos.  Coluna, raiz e força do que está atrás.  A energia que vem do chão em espiral.
Conforta, gruda, amassa e junta. Devolve pro centro, pro todo, onde tudo cabe. Vibra, resiste. Acalma, emana nos poros a força do centro e acalma. Pousa, repousa e devolve. A cabeça um pouco procura, outro pouco aceita, assenta. Pouco vê mas tudo sabe. Como se falassem com a terra, ou através dela. Focado  num passado que era ali mesmo.
“eu vou chegar lá” – no fim da história. História que não tem fim, porque eles ainda estão ali. Não sei se estou sentindo ou imaginando.
Exploração da terra, trabalho escravo de índios e paraguaios, mulheres estupradas, alimento, conversa das rodas de tereré.
Me amolece o corpo, uma lágrima é trabalhada cá dentro, mas ela não quer cair.
Quem não tem nada precisa se mover. E se mexem, rebolam, gritam e acontecem. Aqueles que estiveram cá dentro.  E os que estão ainda, trabalho semi-escravo. Se submetendo ao domínio de um outro, ou pior, ao domínio do estomago. “tudo que existe é a fome” e “a coragem vem do estomago”.
Um cheiro de fogo, o calor e o suor, o cheiro do mate apressado no fogo, abatido, remexido. E muito peso nas costas. Carregando na coluna,nos joelhos, na testa, sem olhos, sem palavra, carregando a erva, folha, o mundo, a esperança. O verde pesado que vira pão e humilhação. Uma luz no clarão do mato e o homem Uru. O pássaro da noite e o homem que controla o fogo e a força do chão. Canta, grita, imagina até sem dormir.
Tá lá e vive, e não se arrepende, e sofre e não reclama, compete, quem não tem nada tem vaidade. Quer ser admirado, quer vencer,ainda que seja  não mudar.
Depois reconheci o chão, fluído. O equilíbrio com os braços e o quadril bem fincado nas pernas, pesando pro chão que se abria mais e mais como se quisesse revelar alguma alegria.
E a lama ganhou ares de festa. De amor, suave e refrescante, calmante.
Saber comparar a própria cultura, pra se encontrar, é presente, não é passado, se faz em cada respirar.
Ela que aprendia tudo com a avó, que andava pelo mato e conhecia os nomes das plantas em guarani, ela foi pra aula com professoras que falavam português, que ensinavam o que? Bons modos a mesa? Não sei.
Tudo que se precisa aprender no mundo indígena está guardado com a terra, árvore, sol, água? Será? Existe uma tal civilização e uma tal sociedade e mais um tal contato! Era preciso desenhar no chão para entender as palavras, então, foi aprendendo com a avó a desenhar o mundo, a inventar as formas e a arte foi surgindo em suas vistas. Foi preciso reinventar, pois o encontro trouxe magoa, sangue e morte.
Fez o índio se travestir e querer mandar no próprio índio. Desautorizou os caciques em nome de um  canhão e bala de um capitão. Mas essa é uma outra história. Aqui se  sabe mesmo é da história dos gemes Sol e Lua. A Lua é vaidosa! O Sol bondoso, ilumina e aquece, faz o verde mais verde e  florescer. A Lua guarda segredos, é guardiã dos que já morreram, ilumina o caminho dos sem vida, vem pra descansar e pra iluminar o caminho de volta pra casa.
Lua e Sol, morte e vida, do escuro e claro...tantas histórias! O mundo é deles e nesse mundo cabe outros mundos... é tolerável o encontro.
A dança e o encontro é tão ancestral quanto a luz do sol. Antes de tudo havia dança, o guachiré com alegria, na matéria disforme, sem luz que se sabia água. Então ouviu-se uma voz e assim se fez, o bebe engatinhando por sobre a substância que se sabia água, fez o chão se firmar e criou os quatro cantos do mundo.
Um lugar para ser feliz, amigos e o mistério. O perigo sempre a espreita.Brinquedo curioso, terra e liberdade.
Ainda não está pronto, talvez não esteja nunca, porque essa descoberta não tem fim.
É uma viajem, porque quem não tem nada tem que se mover.  A gente se joga no escuro da noite, sente a terra nos abraçando, sente os segredos guardados pela Lua.
Ninguém sabe onde esse caminho vai dar. Estrangeira na fronteira, entre ciência e a arte, entre doação e compreensão.
Há ainda o desconhecido que se obstina a questionar o que se presencia
E eu sinto que alguma coisa falta, sempre falta. Talvez a falta que ascende o movimento, pra preencher o que está vazio, mesmo sendo o vazio presente. Eu sinto coisas como “vai” e essa vontade de me perder.
Então hoje eu viajei  no vento, na cor, na dor, no cansaço, na persistência, no medo, na magoa, na marra, na liberdade.  Tem algumas mil lembranças e tem aqueles abraços generosos.
Fazendo som de amor. É descoberta e é fita que amarra corações alados para carregar outros de pedra. Não, é uma palavra que inexiste.
Deixa o corpo levar, sair do lugar pra transformar, transtornar. Sem os braços e abraços eu não estaria de pé. Aprendo Aprender a confiar no acaso. Na desestrutura. No caos. No que vem. No encontro. Na dança. No movimento. No arquétipo. Na intuição. No laço. 
Palavras Inúteis
Policia Politica Poder
conhecimento e ilusão
o meu jeito de sentir 
é pra ficar puta
botinas na cultura
lábio apertado 
voz que fala como bois
as vacas estão velhas e caminham devagar
palavras inúteis
o cancro incrustado no estomago
o vomito azedo na agonia
é pra criar fantasias
racionalizar o que se sente 
sentir o que é racional e burocrático
sonhos
sabotagem
é pra ficar calmo no vento forte de agosto

agudo desespero

muita coordenação e pouca ação. eu tô sempre medindo tô sempre operando, tô sempre querendo saber,  jogar. Olho, observo, reservo pra mais tarde.Eu não vou ficar ali, olhando pra aquilo. Eu resolvi que escrever vai fazer a dor passar. Afinal é quando fecho os olhos que as coisas sem compreensão vem com força. Escrever é coordenar pensamento. É saber que pra além de qualquer coisa EU, VOCÊ, EU e NÓS, ELES...qualquer uma dessas pessoas no final se resumem a eu e Só. Só saber que eu tô só, com tudo isso que me ensinaram. Porque todas essas pessoas existem e me observam e me sentem e me querem ou não. Existe. E eu quero agradar.Eu sou ego, eu sou egoísta eu faço o que acho certo. EU EU EU EU EU EU EU faço o que EU  é certo...Eu cuido do que é meu... Eu tenho tantos EU eu já EU basta EU eu ...
Tenho tantos amigos! EU + VOCÊ= 1000 PARANÓIAS. Eu me consome. EU me come. EU  e todo mundo MUDO. Absolutamente nada existe. é como um simples reflexo que eu passo, ou cruzo ao andar apressada nas ruas, sem bassula. Fraga? Eu levo mesmo a serio essa parada de egoísmo. (minha mão não para de tremer). Há um sapato na minha garganta.
 Eu com medo do escuro. Eu ouvindo os barulhos da noite. Eu de mochila nas costas entrando na escola. eu atravessando a rua em silêncio. eu não faço falta. Eu só faço fala. Marcela dizendo que quer seguir em frente. Eu me situando do outro lado. Eu esquecendo e sentindo sempre ao contrario. Eu bolo de chocolate na mão. Eu recalcada. Eu obsessiva. Eu culinária. Eu palavra grossa.
Pra que eu não entenda mesmo. Pra quem quer  escrever esperando agradar, um caminhão de merda no domingo.
Obrigada.
Tenho vontade de dançar o desespero.

HONEY WHITE

Aconteceu.e é!  olho virado para o outro  são segredos de pupila e retina. sorrisos e abraços. e agora nenhum contato...é melhor não pensar. PO! honey! como você podia ficar? eu aqui ouvindo um jazz triste. uma alegria pobre e vaidosa. incrível. você podia ter ficado. como muitos outros que não saíram. porque a morte é só pra quem está vivo! HÁ! matamos a charada! essa piada camuflada. é! tem coisa que não é pra ser entendida. essa minha mão tremendo.
Tá bom! já podem parar de me falar coisas. uma outra porta se abriu mesmo. o labirinto e a minha boca seca.  o tempo e o espaço. mentira! o que tem mesmo é o corpo! milimetricamente projetado. labirinto. pois bem, talvez você podia ter ficado. aqui sobrou um desejo só. eu me vi língua e pele, instrumento de minha própria paz...mas sobrou um mistérios de pedras: trocamos o perfume do carbono pela forma de um diamante.


algumas coisas que arrecadei por ai

ano novo casa nova gato novo vontade velha
to me adaptando. aqui tem bastante espaço e eu tô me organizando.
Que a poesia volte a habitar minhas mãos. Deixai que a quietude seja o vazio de onde tudo se cria.
Contato com a natureza, com o ser humano, sem medo, sem mascara, e ainda cheio de mistérios que ainda há de pintar por aí.
Eu preciso da minha solidão só porque sei que não estou sozinha. Eu preciso do meu silêncio só porque sei que há um coração pulsando. Eu preciso que você me toque, que o meu corpo e o seu desenhem a musica pelo espaço e que o tempo passe devagar. Eu preciso que você sinta, que acalme, e que exploda em euforia quando tudo se tornar parte de você, como um DNA encrustado em cada célula.
Eu preciso ouvir as estrelas, preciso que a nuvem passe e anuncie boa viagem, pois eu voarei.

de médico e louco, todo mundo...

Cada louco com sua mania e é louco se reconhecendo. Tava eu no PAM - Pronto Atendimento - sessão de Raio X. Estranho! as pessoas que atendem lá não usam roupa branca. São gente "normal", sei lá... Sei que tava sentada, com um livro na mão, quando ela disse alguma coisa que eu nem entendi mas respondi "é" e sorri. Um sorriso é uma pequena chave. Ela continuou:
- Ta lendo é? ministério da cultura...Se fosse minha irmã tava lendo o Código Civil.
Comecei a ficar atenta ao que ela dizia. Tinha também um velho que falava sem parar do outro lado da sala, aquele papo saudoso de idoso, e a sala era pequena, todo mundo ouvia qualquer sussurro.
- Veio do que? Circular?
- Carona com meu pai...mas depois vou voltar de circular.
- Eu também vim com o pai... Tô acostumada a andar com o pai. Sou o peso pesado da família. Eu pesava 110 quilos, mas agora to com 80. Falei pro pastor que agora vou pedir pra Deus pra parar de emagrecer, já ta bom assim.
- Eita! o que você fez pra emagrecer tanto assim?
O médico trocou ou diminuiu os remédios que ela tomava pra epilepsia. Imagino que ela deve ter um monte de remédio, também confessou que já tomou todos de uma única vez...
Quando falava do Dr. X usava um tom manso, cantado, como quem busca um colo. Sabia que pra qualquer coisa que ela sentia teria um remédio. Entendi tanta coisa ali... dependência da doença, o poder que os médicos tem na vida das pessoas vulneráveis como ela. "Conheço isso aqui de olho fechado". Patricia, o nome dela, quando perguntei ela disse empolgada e me estendeu a mão num gesto charmoso "prazer!!"
Ela já foi mandada pro CAPS, já aceitou ser internada pra que não chamassem o bombeiro ou a polícia e o Samu, " esses não aguentam mais ver a minha cara" - imagino que ela já saiba o que é sair de casa amarrada...Falava de tanta coisa, mas principalmente que tudo que ela precisa (e o mundo inteiro) é de amor. Sabe como ela se diverte? Jogando truco na internet. Lá ela conhece pessoas e consegue conversar com o sexo oposto. Aprendeu olhando a irmã jogar, e as vezes passa o MSN pros caras que parecem legais e imagino que deve conversar mil coisas, a ponto da pessoa do outro lado  mandar uma dessas pra Patricia "você é louca" e sumir no mapa. Tudo que ela precisa é de umas carícias, um abraço quente, um ombro pra encostar. Quem não precisa disso? é todo mundo louco mesmo.  Tá com 25 anos e cuida da casa. Antes de entrar eu escutei ela falando: "não tô com pressa não. A minha roupa ta toda lá pra lavar, meu feijão pra cozinhar". Sarcástica. Falava pra quem será? Ela disse  que perto dos homens ela trava, não consegue falar. "sabe quando você tem tanta coisa pra falar que não sai nada, fica tudo aqui ó" - e apontou a garganta. Logo ela que gosta tanto de falar! Fomos juntas de volta pra casa.. Assim que ela entrou no ônibus puxou conversa com uma senhora que sentava no banco de trás.
Contou também que vai voltar a estudar, ia fazer EJA, igual ao pai dela  que perdeu os dedos numa serra circular e voltou a estudar aos 59 anos - "O pai ia fazer o quê? Acha que ele foi burro por voltar a estudar? Ele ia fazer o que sem mão?" E todo mundo toma remédio na família, pra alguma coisa psicológica, "ou morre de câncer".
-11 do 11 de 2011. É o dia que a gente vem buscar o exame.Olha só! é o fim do mundo mesmo!
É Patricia, é o fim, um dia isso vai acabar. Vai que do nada começa a chover flores cheirosas e do céus descem anjos embriagados e bailarinos, todos nus. E a gente também, as vestes arrancadas, a vergonha roubada para sempre e entramos na ciranda celestial pro infinito.
O que tenho são livros não lidos
essa sensação de ser um feto abortado
esse saber  que já se passou tempo demais
essa vontade de que as paredes se fechem
uma inocência que as vezes se perde na ignorância
tenho também  melodias mudas
e mudas mortas
talvez haja uma semente
regada a água salgada

Monogâmia



Uma coisa que não tem começo. Essa explicação que não tem porque não. É invasão de um horizonte que quase se pode tocar com as mãos, feito um domingo que se auto representa. Palavras que querem ser. Quase solidão.

Uma parte da questão se resolve, outra se envolve. Palavras se chamam, anunciam, reclamam ...

Entre tanta gente tão sozinha. É o que alguma parte de mim mesma pensa.
A mesma que se pergunta "o que eu fiz de errado". Sofro de amor, eu sei. E tem a outra parte que pensa: "será assim que nascem os assassinos?"

Já disse que meu amor ainda é cristão. Eu não mataria ninguém.

Outra afirmação que dá as caras na sequencia é: o fim de todas as coisas é acabar e se torna redundante dizer que qualquer coisa tem seu fim.

Armada até os dentes. 
Não ta adiantando escrever. Saudade, falta...vazio. 
Tem nome, tem corpo, tem até apelido. E não é saudade. É vontade. Desejo. Anseio. É meu corpo que se perde. As palavras que se prendem não são suficiente. 
De repente o cheiro e o gosto me invadem. Me pedem: vá se abandone, Dama, viva. Quem tem corpo tem que ter coragem. Sua presença se apresenta e me confunde. Me tira daqui. 
Trago o que tá por dentro, tencionando os músculos, tornando os passos rápidos e pesados, olhos cansados buscando uma paisagem vazia. 
Não escrever não vai fazer a dor passar. 

Tem sempre um encontro, as ruas são as mesmas desde que isso aqui se formou. Há um comprimento, um olá e um sorriso amarelo.E há sempre essa parte de mim que foge ao abraço e tem a outra parte que procura por você nessas ruas repetidas, nos halls de entrada, nos bares da cidade. Procura, acha e desvia. Cada resposta é como um golpe sem esquiva. Quem perdeu fui eu, mas não é essa a questão: perder ou ganhar. O lance é que eu tomei algumas decisões, disse um milhão de coisas e não sei se concordo com todas elas, mas o dito tá dito e não pode ser revogado com mais palavras.Tudo que existe é ação. 
Vocês estão vivendo sua vida juntos e sorrindo com sinceridade, caminhando abraçados, não, saltitando pelas esquinas. Os conselhos que recebi foram errados e talvez eu tenha dito mais coisas na busca de preencher o vazio das perguntas do que trazendo qualquer resposta.Aquilo tudo estava ridículo.
É nessas horas que a gente deve voltar pra casa e ser forte pra se olhar no espelho.

“Aguentar a barra de ser quem tu és”.

Elas, sempre elas, elas sabem mais de mim do que eu mesma.Ouço coisas como um mantra no ouvido: “vai, continua lá então escrevendo sobre solidão, sobre não saber quem você é, é mais fácil”.  Disse que sairia. 
Meia saída não é nem entrada. Tenho que acabar com isso.
Não quero mais ter noticias de vocês, não quero mais ouvir o som de sua voz, não quero olhar nos olhos, não quero saber o comprimento do seu cabelo.
Eu to ficando com ódio do mundo! 
Eu to ficando repetida. Nunca vão saber o tamanho da ferida. 
Ficou tudo assim cinza e enfumaçado e eu não consigo destapar os olhos, nem sentir nada que não seja “eu não faço parte disso”. 
E tudo tem mania de ser tão simples, no final acaba sendo tão ridículo. 
No dia em que você foi  embora eu fiquei com raiva por não ter feito de tudo pra gente ficar  junto, mesmo que não fosse só a gente...

“quem não te conhece que te compre”. 

E você disse que era eu quem arranjava o problema. Seria simples, hoje ela, talvez amanhã eu. Eu repetia, suavemente: me ensina me, me fascina. Me dá um pouco do seu tempo. Exclusivo. Não precisa de muito, mas tem que ser nosso e só. Me ensina? Me aprende em mim? 

Aprendi sim!  Egozista! 
Aquele que goza com o próprio ego. É isso. Não sei se me conheço ou se me esqueço.

Vai vivendo, minha filha, vai vivendo. 

Eu to sofrendo...Sei que vou sentir saudades e essa saudade vai se transformar... Tanta crise, tanta confusão pra entender que a merda toda já tava aí antes da gente e que a gente que veio, foi mesmo pra  fazer a diferença e assumir as consequências dessa transformação. A força ta naquele que acredita e se junta, se joga.Te olhar nos olhos me fez ver coisas desse tipo. 

Agora to sentido os (de)efeitos de um passado bem próximo e apressando o futuro. É assim que a humanidade sofre, sem desculpa ou justificação. Ser mulher tem dessas coisas, dessas faltas, dessa vontade sem nome, ou com sobrenome e tudo mais, essa coisa de amor pra dar. Menos né, nem tão amor assim.
Ou é?
O sexo...
Uma transa como um momento de devoção e louvor ao corpo, a matéria que forma a alma...é assim que se cura. 
Aqui só tem um monte de palavras enfeitando os sentimentos e eu gosto de escrever. Palavra também é ação. Pelo menos é o que eu quero acreditar.
Espero que quando a gente se encontrar eu já tenha me libertado das mentiras que o mundo me conta! 

Era pra ser outra coisa

um palco cheio de coisas, garrafas, sapatos, velas, capacete, luz de natal, roupas, uma tela branca ao fundo... só pra exemplificar, sem qualquer pretensão de criar uma imagem fidedigna do que estava rolando lá naquela atmosfera. o teatro lotado, um domingo frio e o hall de entrada cheio de gente. atrasado pra manter a tradição do nosso teatro municipal. a canção, um pouco desafinada em que toda a equipe cantava uma coisa que falava de chuva. entrada. o publico no palco em cima das arquibancadas, não coube todo mundo, gente sentando no chão e aos redores. apertados. "nem todo signo tem seu significado". um carrinho de mão gigante em que um homem carregava três pessoas que sorriam com os olhos, um olá fraterno ao publico que aguardava, ou um convite sensual. Tempo.  o tempo de cada um, de cada si. desconexo. o nosso grande destino é acabar. momentos de pessoas, não personagens, nada de interpretação, era vida. vivos, no seu quadrado como é mesmo o mundo.vivos. o dia mais feliz da sua vida. o tempo pra você. uma lembrança. uma esperança. tem esse quadrado fundado em utopias "é como o sonho de ícaro" ele dizia enquanto se equilibrava tentando voar. Asas a utopia. tempo. "ainda tenho tempo?" tinha. frases se espalhavam espelhando autores famosos. arte. devaneio. espectros. cotidiano. sonho. indignação. liberdade. corpos enfrentando outros corpos, com paixão, como um grito da (in) consciência presa nos olhares atentos. outros feitos desfile de gente antiga falando de lucidez. Começo com os técnicos andando de um lado pro outro, com o tempo descontrolado, era pra ser outra coisa falava de amor,  como aquilo tudo que nos resta ou o que basta. sentido, eu tenho sentido. "navegar é preciso, viver não é preciso".

"Era pra ser outra coisa" - é um espetáculo realizado pela primeira turma do curso de Artes Cências da UFGD, com encenação de Gil Esper...acabei de sair da platéia, me deu vontade de escrever e escrevi...não é sobre, mas com...valeu galera!