triste são os amores mal despedidos.
essa angustia de um amor desamor amor
e ninguém desaparece
viciados em presença
é minha cara!
ausência
desprezo
indiferença
recalque
sabe assim,
um remorso misturado
com inveja de te ver povoando as ruas?
é estranho tentar
matar as pessoas dentro de si
mesmo sem sair do lugar
olhar baixo
acocorado
eu provocando
chamando a atenção
desesperadamente
olho no olho
sua mão tocando o cigarro
riscando o isqueiro
eu com tesão por mãos
coração palpitando
olho vazio
um silencio profundo
inspirado
atravessando paredes
buscando um caminhão de lembranças
bom te ver
seja la como for
difícil te reconhecer
escolho só o que me interessa
sempre busco
dessa vez
quase te achei.
Estrela no Vazio Entupido
será problema meu?
a maldade acorda cedo
a maldade mente com clareza
olhos nos olhos acreditando no sua
franqueza
falhas marcam o presente
como cicatrizes de um passado que não é
seu
a beleza se embaça num riso de
deboche
a alegria é alugada por suaves
prestações
brincadeira já não desenvolve a
imaginação
a imitação não reconhece irmãos
a maldade corre solta
confiança é um modo de se entregar
confuso com ingenuidade de olhos generosos
os olhos do mundo estão cansados e cegos
crianças fogem de ser boas
crianças fogem de ser boas
fogem de ser amáveis
a liberdade é solidão
a alegria não é sadia
o desejo é doença
ou sou eu?
Dos leoninos que insistem em rugir suavemente
tudo queimava, mas nada aquecia
Humberto Gessinger
Humberto Gessinger
Há o acaso. Há o encontro, há o que não precisa ser explicado. Há uma dose de cerveja e conhaque na minha mesa. Tem alguma coisa que me acelera por dentro. Tem sentidos a espreita, nos cercando. Tem esse mundo paralelo, intrincado no presente que transforma os instantes na gente. E eu me jogo no jogo do caos e às vezes saio enfeitada de fita, outras nem retorno. Cansei de sentir culpa. Eu já não sei o que é juízo. Existem coisas que são. Sanidade no presente quando o tempo não interfere com seus vassalos passado e futuro carregados de paranoia culpa e confusão. Tenho uma inclinação para o caos e também uma queda pra coisas que eu tento explicar e explico e verifico na prática pra de novo me perder. Seus olhos, olhos de perigo. Sua boca quente, com certeza, quente. Me investiga por dentro. Olhos que mudam de cor e é como se eu abraçasse o menino que está dentro deles. Crio hipóteses e o presente se perde no meio da mente. Seu fogo freme e ativa a transformação. Sou oxigênio solto no desejo.
mais um dos mesmos erros
Aprendi que nem toda loucura é instigante. Nem todo mundo gosta de criar segredos. Nem todo ser é um mundo aberto. Aprendo que por quês nem sempre são perguntas que querem explicações, algumas vezes um "por que" pode significar "não faça isso, não". Aprendi que o tempo não se passa sem um passado, não corre sem que haja movimento. Um corpo cansado cria alguma coisa mais pela força do que pelo sentimento. Não entendo nada de sexo, mas gosto de experimentar. E é preciso confiar para poder perguntar o que vem depois. Eu to com medo. Será culpa minha? "Eu quero conhecer todos os tipos de pessoas do mundo". Esse é meu sonho de criança. Todos os tipo, todos os cantos, todas as danças, todas as línguas, todos os corpos. Eu quero...Ah não quero nada mais...Nem dizer, nem nada, só agora. Só porque eu senti a sua vontade de me virar as costas, depois de ter entrado em mim com medo e algum sentido de desejo. Eu sorri e fui feliz. Achei que podia brincar enquanto te olhava os olhos. Bonito. Menino bonito. E de algum modo eu sempre choro. Por que sempre vai existir esse vazio e essa incerteza clara. Sempre vai existir uma semana e um dia de sol pra eu não te ver. E eu sei, menino, você não quer e não vai se entregar. Tudo bem, eu já passei por isso, pode ser que tenha mais amor em mim do que eu possa tolerar. Daí eu choro, me engano, chapo o pulmão de fumaça. Sou jovem, morena, desgosto, talvez eu tenha te forçado a estar do meu lado, na verdade você não está do lado de cá. Mas me abraçou. Eu escrevo pra desvendar o momento, não pra gostar, nem pra entender. Eu escrevo porque é assim que o tempo me abre uma brecha e eu encontro uma luz. Como um holofote apenas em cima de mim. Eu escrevo porque sei que não vai ter ninguém aqui quando eu chamar. Porque quando a coisa vira essa vontade, algo me castiga e o mundo não me surpreende. Quem escreve cria conceitos, eu crio alguns defeitos. É preciso que algo aconteça e que prenda meus sentidos pra me tirar daqui. Talvez eu tenha exagerado na intensidade, na contradição. Nada de caso pensado, só aconteceu assim, porque eu acreditei, acreditei no amor que há em mim. Ainda acredito, sem amor nada vale a pena. Gozo perdido em si mesmo, perdido na vontade de sentir. Eu vou dar um tempo pra que tudo fique em paz. Vou sumir da sua vida, me deixar em paz, te deixar com a sua própria vida. Somos tão jovens! Vamos usar a nossa energia pro que nos satisfaz...
Processos
Vim do meio, do centro, onde tudo cabe. Força que vibra,
envolve, abraça. É preciso união. Mãos dadas, irmãos. Coluna, raiz e força do que está atrás. A energia que vem do chão em espiral.
Conforta, gruda, amassa e junta. Devolve pro centro, pro
todo, onde tudo cabe. Vibra, resiste. Acalma, emana nos poros a força do centro
e acalma. Pousa, repousa e devolve. A cabeça um pouco procura, outro pouco
aceita, assenta. Pouco vê mas tudo sabe. Como se falassem com a terra, ou
através dela. Focado num passado que era
ali mesmo.
“eu vou chegar lá” – no fim da história. História que não
tem fim, porque eles ainda estão ali. Não sei se estou sentindo ou imaginando.
Exploração da terra, trabalho escravo de índios e
paraguaios, mulheres estupradas, alimento, conversa das rodas de tereré.
Me amolece o corpo, uma lágrima é trabalhada cá dentro, mas
ela não quer cair.
Quem não tem nada precisa se mover. E se mexem, rebolam,
gritam e acontecem. Aqueles que estiveram cá dentro. E os que estão ainda, trabalho semi-escravo.
Se submetendo ao domínio de um outro, ou pior, ao domínio do estomago. “tudo
que existe é a fome” e “a coragem vem do estomago”.
Um cheiro de fogo, o calor e o suor, o cheiro do mate
apressado no fogo, abatido, remexido. E muito peso nas costas. Carregando na
coluna,nos joelhos, na testa, sem olhos, sem palavra, carregando a erva, folha,
o mundo, a esperança. O verde pesado que vira pão e humilhação. Uma luz no
clarão do mato e o homem Uru. O pássaro da noite e o homem que controla o fogo
e a força do chão. Canta, grita, imagina até sem dormir.
Tá lá e vive, e não se arrepende, e sofre e não reclama,
compete, quem não tem nada tem vaidade. Quer ser admirado, quer vencer,ainda
que seja não mudar.
Depois reconheci o chão, fluído. O equilíbrio com os braços e
o quadril bem fincado nas pernas, pesando pro chão que se abria mais e mais
como se quisesse revelar alguma alegria.
E a lama ganhou ares de festa. De amor, suave e refrescante,
calmante.
Saber comparar a própria cultura, pra se encontrar, é
presente, não é passado, se faz em cada respirar.
Ela que aprendia tudo com a avó, que andava pelo mato e
conhecia os nomes das plantas em guarani, ela foi pra aula com professoras que
falavam português, que ensinavam o que? Bons modos a mesa? Não sei.
Tudo que se precisa aprender no mundo indígena está guardado
com a terra, árvore, sol, água? Será? Existe uma tal civilização e uma tal
sociedade e mais um tal contato! Era preciso desenhar no chão para entender as
palavras, então, foi aprendendo com a avó a desenhar o mundo, a inventar as
formas e a arte foi surgindo em suas vistas. Foi preciso reinventar, pois o
encontro trouxe magoa, sangue e morte.
Fez o índio se travestir e querer mandar no próprio índio.
Desautorizou os caciques em nome de um
canhão e bala de um capitão. Mas essa é uma outra história. Aqui se sabe mesmo é da história dos gemes Sol e Lua.
A Lua é vaidosa! O Sol bondoso, ilumina e aquece, faz o verde mais verde e florescer. A Lua guarda segredos, é guardiã
dos que já morreram, ilumina o caminho dos sem vida, vem pra descansar e pra
iluminar o caminho de volta pra casa.
Lua e Sol, morte e vida, do escuro e claro...tantas
histórias! O mundo é deles e nesse mundo cabe outros mundos... é tolerável o
encontro.
A dança e o encontro é tão
ancestral quanto a luz do sol. Antes de tudo havia dança, o guachiré com
alegria, na matéria disforme, sem luz que se sabia água. Então ouviu-se uma voz
e assim se fez, o bebe engatinhando por sobre a substância que se sabia água,
fez o chão se firmar e criou os quatro cantos do mundo.
Um lugar para ser feliz, amigos e o mistério. O perigo
sempre a espreita.Brinquedo curioso, terra e liberdade.
Ainda não está pronto, talvez não esteja nunca, porque essa
descoberta não tem fim.
É uma viajem, porque quem não tem nada tem que se
mover. A gente se joga no escuro da
noite, sente a terra nos abraçando, sente os segredos guardados pela Lua.
Ninguém sabe onde esse caminho vai dar. Estrangeira na
fronteira, entre ciência e a arte, entre doação e compreensão.
Há ainda o desconhecido que se obstina a questionar o que se
presencia
E eu sinto que alguma coisa
falta, sempre falta. Talvez a falta que ascende o movimento, pra preencher o
que está vazio, mesmo sendo o vazio presente. Eu sinto coisas como “vai” e essa
vontade de me perder.
Então hoje eu viajei
no vento, na cor, na dor, no cansaço, na persistência, no medo, na
magoa, na marra, na liberdade. Tem
algumas mil lembranças e tem aqueles abraços generosos.
Fazendo som de amor. É descoberta e é fita que amarra
corações alados para carregar outros de pedra. Não, é uma palavra que inexiste.
Deixa o corpo levar, sair do
lugar pra transformar, transtornar. Sem os braços e abraços eu não estaria de
pé. Aprendo Aprender a confiar no acaso. Na desestrutura. No caos. No que vem.
No encontro. Na dança. No movimento. No arquétipo. Na intuição. No laço.
Palavras Inúteis
Policia Politica Poder
conhecimento e ilusão
o meu jeito de sentir
é pra ficar puta
botinas na cultura
lábio apertado
voz que fala como bois
as vacas estão velhas e caminham devagar
palavras inúteis
o cancro incrustado no estomago
o vomito azedo na agonia
é pra criar fantasias
racionalizar o que se sente
sentir o que é racional e burocrático
sonhos
sabotagem
é pra ficar calmo no vento forte de agosto
agudo desespero
muita coordenação e pouca ação. eu tô sempre medindo tô sempre operando, tô sempre querendo saber, jogar. Olho, observo, reservo pra mais tarde.Eu não vou ficar ali, olhando pra aquilo. Eu resolvi que escrever vai fazer a dor passar. Afinal é quando fecho os olhos que as coisas sem compreensão vem com força. Escrever é coordenar pensamento. É saber que pra além de qualquer coisa EU, VOCÊ, EU e NÓS, ELES...qualquer uma dessas pessoas no final se resumem a eu e Só. Só saber que eu tô só, com tudo isso que me ensinaram. Porque todas essas pessoas existem e me observam e me sentem e me querem ou não. Existe. E eu quero agradar.Eu sou ego, eu sou egoísta eu faço o que acho certo. EU EU EU EU EU EU EU faço o que EU é certo...Eu cuido do que é meu... Eu tenho tantos EU eu já EU basta EU eu ...
Tenho tantos amigos! EU + VOCÊ= 1000 PARANÓIAS. Eu me consome. EU me come. EU e todo mundo MUDO. Absolutamente nada existe. é como um simples reflexo que eu passo, ou cruzo ao andar apressada nas ruas, sem bassula. Fraga? Eu levo mesmo a serio essa parada de egoísmo. (minha mão não para de tremer). Há um sapato na minha garganta.
Eu com medo do escuro. Eu ouvindo os barulhos da noite. Eu de mochila nas costas entrando na escola. eu atravessando a rua em silêncio. eu não faço falta. Eu só faço fala. Marcela dizendo que quer seguir em frente. Eu me situando do outro lado. Eu esquecendo e sentindo sempre ao contrario. Eu bolo de chocolate na mão. Eu recalcada. Eu obsessiva. Eu culinária. Eu palavra grossa.
Pra que eu não entenda mesmo. Pra quem quer escrever esperando agradar, um caminhão de merda no domingo.
Obrigada.
Tenho vontade de dançar o desespero.
HONEY WHITE
Aconteceu.e é! olho virado para o outro são segredos de pupila e retina. sorrisos e abraços. e agora nenhum contato...é melhor não pensar. PO! honey! como você podia ficar? eu aqui ouvindo um jazz triste. uma alegria pobre e vaidosa. incrível. você podia ter ficado. como muitos outros que não saíram. porque a morte é só pra quem está vivo! HÁ! matamos a charada! essa piada camuflada. é! tem coisa que não é pra ser entendida. essa minha mão tremendo.
Tá bom! já podem parar de me falar coisas. uma outra porta se abriu mesmo. o labirinto e a minha boca seca. o tempo e o espaço. mentira! o que tem mesmo é o corpo! milimetricamente projetado. labirinto. pois bem, talvez você podia ter ficado. aqui sobrou um desejo só. eu me vi língua e pele, instrumento de minha própria paz...mas sobrou um mistérios de pedras: trocamos o perfume do carbono pela forma de um diamante.
algumas coisas que arrecadei por ai
ano novo casa nova gato novo vontade velha
to me adaptando. aqui tem bastante espaço e eu tô me organizando.
Que a poesia volte a habitar minhas mãos. Deixai que a quietude seja o vazio de onde tudo se cria.
Contato com a natureza, com o ser humano, sem medo, sem mascara, e ainda cheio de mistérios que ainda há de pintar por aí.
Eu preciso da minha solidão só porque sei que não estou sozinha. Eu preciso do meu silêncio só porque sei que há um coração pulsando. Eu preciso que você me toque, que o meu corpo e o seu desenhem a musica pelo espaço e que o tempo passe devagar. Eu preciso que você sinta, que acalme, e que exploda em euforia quando tudo se tornar parte de você, como um DNA encrustado em cada célula.
Eu preciso ouvir as estrelas, preciso que a nuvem passe e anuncie boa viagem, pois eu voarei.
to me adaptando. aqui tem bastante espaço e eu tô me organizando.
Que a poesia volte a habitar minhas mãos. Deixai que a quietude seja o vazio de onde tudo se cria.
Contato com a natureza, com o ser humano, sem medo, sem mascara, e ainda cheio de mistérios que ainda há de pintar por aí.
Eu preciso da minha solidão só porque sei que não estou sozinha. Eu preciso do meu silêncio só porque sei que há um coração pulsando. Eu preciso que você me toque, que o meu corpo e o seu desenhem a musica pelo espaço e que o tempo passe devagar. Eu preciso que você sinta, que acalme, e que exploda em euforia quando tudo se tornar parte de você, como um DNA encrustado em cada célula.
Eu preciso ouvir as estrelas, preciso que a nuvem passe e anuncie boa viagem, pois eu voarei.
de médico e louco, todo mundo...
Cada louco com sua mania e é louco se reconhecendo. Tava eu no PAM - Pronto Atendimento - sessão de Raio X. Estranho! as pessoas que atendem lá não usam roupa branca. São gente "normal", sei lá... Sei que tava sentada, com um livro na mão, quando ela disse alguma coisa que eu nem entendi mas respondi "é" e sorri. Um sorriso é uma pequena chave. Ela continuou:
- Ta lendo é? ministério da cultura...Se fosse minha irmã tava lendo o Código Civil.
Comecei a ficar atenta ao que ela dizia. Tinha também um velho que falava sem parar do outro lado da sala, aquele papo saudoso de idoso, e a sala era pequena, todo mundo ouvia qualquer sussurro.
- Veio do que? Circular?
- Carona com meu pai...mas depois vou voltar de circular.
- Eu também vim com o pai... Tô acostumada a andar com o pai. Sou o peso pesado da família. Eu pesava 110 quilos, mas agora to com 80. Falei pro pastor que agora vou pedir pra Deus pra parar de emagrecer, já ta bom assim.
- Eita! o que você fez pra emagrecer tanto assim?
O médico trocou ou diminuiu os remédios que ela tomava pra epilepsia. Imagino que ela deve ter um monte de remédio, também confessou que já tomou todos de uma única vez...
Quando falava do Dr. X usava um tom manso, cantado, como quem busca um colo. Sabia que pra qualquer coisa que ela sentia teria um remédio. Entendi tanta coisa ali... dependência da doença, o poder que os médicos tem na vida das pessoas vulneráveis como ela. "Conheço isso aqui de olho fechado". Patricia, o nome dela, quando perguntei ela disse empolgada e me estendeu a mão num gesto charmoso "prazer!!"
Ela já foi mandada pro CAPS, já aceitou ser internada pra que não chamassem o bombeiro ou a polícia e o Samu, " esses não aguentam mais ver a minha cara" - imagino que ela já saiba o que é sair de casa amarrada...Falava de tanta coisa, mas principalmente que tudo que ela precisa (e o mundo inteiro) é de amor. Sabe como ela se diverte? Jogando truco na internet. Lá ela conhece pessoas e consegue conversar com o sexo oposto. Aprendeu olhando a irmã jogar, e as vezes passa o MSN pros caras que parecem legais e imagino que deve conversar mil coisas, a ponto da pessoa do outro lado mandar uma dessas pra Patricia "você é louca" e sumir no mapa. Tudo que ela precisa é de umas carícias, um abraço quente, um ombro pra encostar. Quem não precisa disso? é todo mundo louco mesmo. Tá com 25 anos e cuida da casa. Antes de entrar eu escutei ela falando: "não tô com pressa não. A minha roupa ta toda lá pra lavar, meu feijão pra cozinhar". Sarcástica. Falava pra quem será? Ela disse que perto dos homens ela trava, não consegue falar. "sabe quando você tem tanta coisa pra falar que não sai nada, fica tudo aqui ó" - e apontou a garganta. Logo ela que gosta tanto de falar! Fomos juntas de volta pra casa.. Assim que ela entrou no ônibus puxou conversa com uma senhora que sentava no banco de trás.
Contou também que vai voltar a estudar, ia fazer EJA, igual ao pai dela que perdeu os dedos numa serra circular e voltou a estudar aos 59 anos - "O pai ia fazer o quê? Acha que ele foi burro por voltar a estudar? Ele ia fazer o que sem mão?" E todo mundo toma remédio na família, pra alguma coisa psicológica, "ou morre de câncer".
-11 do 11 de 2011. É o dia que a gente vem buscar o exame.Olha só! é o fim do mundo mesmo!
É Patricia, é o fim, um dia isso vai acabar. Vai que do nada começa a chover flores cheirosas e do céus descem anjos embriagados e bailarinos, todos nus. E a gente também, as vestes arrancadas, a vergonha roubada para sempre e entramos na ciranda celestial pro infinito.
Monogâmia
Uma coisa que não tem começo. Essa explicação que não tem porque não. É invasão de um horizonte que quase se pode tocar com as mãos, feito um domingo que se auto representa. Palavras que querem ser. Quase solidão.
Uma parte da questão se resolve, outra se envolve. Palavras se chamam, anunciam, reclamam ...
Entre tanta gente tão sozinha. É o que alguma parte de mim mesma pensa.
A mesma que se pergunta "o que eu fiz de errado". Sofro de amor, eu sei. E tem a outra parte que pensa: "será assim que nascem os assassinos?"
Já disse que meu amor ainda é cristão. Eu não mataria ninguém.
Tem nome, tem corpo, tem até apelido. E não é saudade. É vontade. Desejo. Anseio. É meu corpo que se perde. As palavras que se prendem não são suficiente.
De repente o cheiro e o gosto me invadem. Me pedem: vá se abandone, Dama, viva. Quem tem corpo tem que ter coragem. Sua presença se apresenta e me confunde. Me tira daqui.
Trago o que tá por dentro, tencionando os músculos, tornando os passos rápidos e pesados, olhos cansados buscando uma paisagem vazia.
Não escrever não vai fazer a dor passar.
Tem sempre um encontro, as ruas são as mesmas desde que isso aqui se formou. Há um comprimento, um olá e um sorriso amarelo.E há sempre essa parte de mim que foge ao abraço e tem a outra parte que procura por você nessas ruas repetidas, nos halls de entrada, nos bares da cidade. Procura, acha e desvia. Cada resposta é como um golpe sem esquiva. Quem perdeu fui eu, mas não é essa a questão: perder ou ganhar. O lance é que eu tomei algumas decisões, disse um milhão de coisas e não sei se concordo com todas elas, mas o dito tá dito e não pode ser revogado com mais palavras.Tudo que existe é ação.
Vocês estão vivendo sua vida juntos e sorrindo com sinceridade, caminhando abraçados, não, saltitando pelas esquinas. Os conselhos que recebi foram errados e talvez eu tenha dito mais coisas na busca de preencher o vazio das perguntas do que trazendo qualquer resposta. Aquilo tudo estava ridículo.
É nessas horas que a gente deve voltar pra casa e ser forte pra se olhar no espelho.
“Aguentar a barra de ser quem tu és”.
Elas, sempre elas, elas sabem mais de mim do que eu mesma. Ouço coisas como um mantra no ouvido : “vai, continua lá então escrevendo sobre solidão, sobre não saber quem você é, é mais fácil”. Disse que sairia.
Meia saída não é nem entrada. Tenho que acabar com isso.
Não quero mais ter noticias de vocês, não quero mais ouvir o som de sua voz, não quero olhar nos olhos, não quero saber o comprimento do seu cabelo.
Eu to ficando com ódio do mundo!
Eu to ficando repetida. Nunca vão saber o tamanho da ferida.
Ficou tudo assim cinza e enfumaçado e eu não consigo destapar os olhos, nem sentir nada que não seja “eu não faço parte disso”.
E tudo tem mania de ser tão simples, no final acaba sendo tão ridículo.
No dia em que você foi embora eu fiquei com raiva por não ter feito de tudo pra gente ficar junto, mesmo que não fosse só a gente...
“quem não te conhece que te compre”.
E você disse que era eu quem arranjava o problema . Seria simples, hoje ela, talvez amanhã eu. Eu repetia, suavemente : me ensina me, me fascina. Me dá um pouco do seu tempo. Exclusivo. Não precisa de muito, mas tem que ser nosso e só. Me ensina? Me aprende em mim?
Aprendi sim! Egozista!
Aquele que goza com o próprio ego. É isso. Não sei se me conheço ou se me esqueço .
Vai vivendo, minha filha, vai vivendo.
Eu to sofrendo...Sei que vou sentir saudades e essa saudade vai se transformar... Tanta crise, tanta confusão pra entender que a merda toda já tava aí antes da gente e que a gente que veio, foi mesmo pra fazer a diferença e assumir as consequências dessa transformação. A força ta naquele que acredita e se junta, se joga. Te olhar nos olhos me fez ver coisas desse tipo.
Agora to sentido os (de)efeitos de um passado bem próximo e apressa ndo o futuro. É assim que a humanidade sofre, sem desculpa ou justificação. Ser mulher tem dessas coisas, dessas faltas, dessa vontade sem nome, ou com sobrenome e tudo mais, essa coisa de amor pra dar. Menos né, nem tão amor assim.
Ou é?
O sexo...
Uma transa como um momento de devoção e louvor ao corpo, a matéria que forma a alma...é assim que se cura.
Espero que quando a gente se encontrar eu já tenha me libertado das mentiras que o mundo me conta!
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