Estrela no Vazio Entupido

a favor da minha cabeça


Ando pensando demais, indignada de muito e sei que vocês também. o mundo está meio assim assado, complicado nos deixando instigado! ando sabendo que a gente tem que comunicar com a nossa aldeia. de algum modo e sem muita escolha a gente faz parte do que nos rodeia. não somos os mesmos, mas estamos no mesmo espaço, terra, TERRITÓRIO . falando nisso, fiquei indignada por terem cortado uma Figueira que ficava próxima ali da entrada pra facul...além de ser uma VIDA, ela também compunha a nossa paisagem, principalmente de gente que vai pra faculdade todos os dias...faz uma falta danada. (DÁ NADA?).  nossa paisagem tá mudando. o sol tá cada vez mais torrando e as generosas árvores  cedendo lugar para condomínios  (com - domínios) e  mais prédios pra abrigar confortavelmente os novos estudantes da tal cidade universitária. E a gente não vai fazer nada? pra mim isso é patrimônio vivo (patrimônio vivo? meio nacionalista?) . o nosso verde-vida precisa estar enraizado pra ser respeitado, precisa se transformar em cultura e pra isso uma das coisas que tem que acontecer é ele ser representado , através da musica, do teatro, do desenho, da poesia...sei lá...através das coisas que a gente gosta de fazer. não só as arvores, mas outras vidas precisam de mais respeito, como as vacas e porcos, só pra dar um exemplo...a gente que faz parte da tal resistência precisa representar para fazer imaginar. refletir o quanto as pessoas são cruéis e ridículos por ignorar diferentes fatos e mortes que essa cultura, ou mono-cultura engrandece...minha cabeça tá fervendo e outras estão rolando por aí... tudo que a gente precisa é agir, ocupar nosso tempo com ação não só com reflexão e dar um chacoalhão no mundo que nos cerca. ando aprendendo que não posso ser ignorante com o mundo. achar que eu não faço parte do esquema só por não concordar com ele não ajuda em muita coisa. o que ajuda é estar em movimento, criar a dança! comunicar com o que nos entorna! expressar... e de repente a nossa contra-cultura transforme a tal cultura e a gente tenha novas duvidas e outras indgnações pra botar pra rua. 

Hoje Sou vogal ao tom de Ah.

Cansada dessa melancolia, dessa falta de amor próprio, ou excesso dele. Eu sou uma fracassada, você é um fracassado. Nós somos irmãos. Façamos da nossa vida um circo e espanto, reduzimos o desprezível ao seu lugar: no riso que nos faz e desfaz  em caras retorcidas e disformes. Esperamos insaciados a ação do tempo que nos mata pra nada.

 
“Você escreve bem explicadinho” precisava mesmo era de fúria e febre.
Eu não caibo aqui nesse canto do quarto. Pernas trançadas, cadeira de lado, encosta, empurra. Papeis abandonados. Lençol enfumaçado...eu não me caibo nesse canto quadrado. Não caibo aqui entre palavras enroladas consoantes.

Eu assumo,mas e daí?

furoto


Faz tanto tempo não é? Talvez as palavras não demonstrem o que eu tenho sentido ou vivido. Também não tenho certeza se o que passou é importante, pra mim ou pra você. O tempo talvez sirva exatamente pra mostrar o que importa.
Ha pouco lembrei do personagem do filme Superoutro que dizia: “eu não quero saber de tudo não, se eu souber de tudo não vai ter mais nada pra eu saber”... e eu diria: eu não quero saber quem eu sou não... mas esse pensamento tem me tirado a paz. Não sei se me conheço ou se me esqueço. Estou a me procurar, me crio, ao mesmo tempo, me engano. Não existe segredo, mas eu vou continuar procurando.
Às vezes me sinto um parasita, que invade a alma das pessoas e suga o que elas são, um inseto de olhos grandes e faminto de vida...Ouvi que eu não percebo o outro, apesar de sempre dizer que entendo esse tal outro. Me disseram que é como se eu ouvisse ou percebesse só aquilo que me serve, o que me agrada, ou o que me aproxima do segredo fantasma e que me faço de desentendida pra não ter que dar uma resposta ou tomar uma atitude.
Aquilo que eu chamaria de distanciamento e compreensão era o que eu achava ser a minha maior qualidade. Hoje, essa mania de analisar as pessoas e fatos, o tal "entender" tem me tornado arrogante. É como se eu tivesse formulas pra sentir as pessoas, colocando elas numa lógica de causas e efeitos inventados pelas minhas paranoias. Isso não é sentir, o que dá a razão pra quem falou que eu não percebo os outros. Eu queria muito que essa pessoa estivesse mentindo. Mas quem mente pra mim mesma sou eu.
 Viver é se envolver. 
Não sinto tristeza. Não sinto quase nada e isso é muito ruim. Me sinto como um ex-drogado que esta na fase final da clinica, a fase de voltar pra casa. Hora de encontrar as pessoas “que te amam de verdade”. Um ex-dependente voltando pro seio familiar. Não sinto nada, nem vontade de aproveitar a droga de novo. Essa sensação de recomeçar... É diferente. Eu recomeço com a sensação de ter errado. Mas talvez se não errasse não teria que recomeçar e tudo ficaria na mesma. Mudar não é a solução, aceitar também não. O melhor seria se tudo que eu vivi, criei e senti tivesse me aproximado mais de mim, do que eu sou, daquilo que me faz única e que me fizesse ter um sentido no mundo.Mas eu sei lá o que aconteceu...
Então, não é bem recomeço, eu ainda to aqui na casa do meu pai, ainda não tenho trabalho, não tenho profissão, não terminei a faculdade, não sei quem eu sou...nada de novo. 
 Tem muita coisa mal resolvida aqui dentro deixando as coisas obscuras, culpa do medo. Medo de conhecer quem eu sou e não ter mais nada pra saber.


A Culpa Foi Minha

Roteiro e direção de Klber Felix - o Birigui.
Conheço esse cara faz uns quatro anos. Um tempo considerável de conversas em mesas de boteco solitárias, doses de conhaque pela rua e planos, muitos planos de abraçar o mundo com aquilo que a gente sabe fazer: expressar sentimentos e inventar histórias. Contos, narrativas, poesias daquilo que a gente vive aqui, experiências do nosso tempo, juventude 2000, almas periféricas. É nóis tudo contra esse mundo de valores avessos ao prazer, contra essa máquina repressora e a favor do nosso caminho.
O Kleber tinha ido embora pra Rio Preto, viver outras experiências, sem fugir muito desse mundo da juventude 2000, universitários e o caralho que tem por aí e por aqui. Ele continua na luta, vendendo seus pocket books quase autobiográficos sabendo cada vez mais qual o seu caminho ou não, mas sabe que nunca vai parar na pista.
A gente sempre planejou fazer alguma coisa juntos. Eu não sei bem qual é a minha: escrevo, atuo, malabarizo, danço e agora tenho uma câmera. E o Birigui tinha uma peça e teatro escrita, aliás, várias. Vivia me oferecendo essas peças: "vamos montar Taianna, você vai ver, vai ser legal". Dessa vez eu disse sim, mas não como peça e sim como o roteiro de um filme.
Conta a história de  dois amigos que moram juntos, Pedro e Ricardo.O Pedro perdeu a namorada. Já o outro nunca se apaixonou, só pensa em curtição.  O tempo em que acontece o filme é depois da morte da mina do Pedro. Esse cara sofre de tristeza e culpa pelo que se passou e  nunca saí de casa. Enquanto o outro se diverte pela rua, aproveita a vida como se nada tivesse acontecido e relembra  os velhos tempos tentando animar  o amigo. Acontece que esse cara feliz se apaixona pela mina do cara que matou a Paula. O assassino saí da cadeia e ameaça matar o Ricardo. É  a oportunidade que Pedro esperava de se livrar da culpa , tentando ser heróis mais uma vez salvando Ricardo. Como uma prova de amor e amizade, Pedro saí preparado pra briga e acaba morto. É esse o enredo da história.
A gente só precisava de dois atores. Mas eu e o Birigui  não somos muito socializados com o pessoal das artes cênicas daqui. E fazemos as coisas por nós mesmos, com gente que a gente confia e gosta. Nada de anormal né, a arte tem que ser feita por quem sente. E a gente tem a sorte de conhecer gente com atitude e vontade. Gente como a gente, que busca e sente.
Foi aí que surgiu os planos com os guri da Ment'Ativa - os mano de Corumbá. Um cara que faz ritimo e som com as palavras, que solta a voz e o verbo do jeito que eles chegam na mente, eclodindo, vibrando com aquilo que vive e pensa, planta e medita . E tem o outro que faz a mesma coisa, mas ele usa pra isso o som das cordas, sentimento punk pulsando nas veias. Eles formam a banda e vão encontrando gente pra somar no som original. Faça você mesmo. Mesmo sem os recursos eles vão fazendo seu som com qualidade e tesão. É Rock é Rap é Punk é Psicodélico e é Ação.Um elo que se sente de longe. Eram eles, dois irmãos da rua. Um tranquilo , sorriso aberto, fala pouco e toca muito. O outro, toca o terror, fala muito e agita o tempo e o espaço.  O pior é  que eles tinham brigado uns dias antes da proposta do filme. E brigado feio. Nada melhor do que criação, experiência e vivência pra uni-los de novo. E deu certo. Eles aceitaram o convite e foram ficando na paz um com o outro. A gente ficou uma semana e meia ensaiando. O Birigui "treinando" seus atores e eu viajando nos planos de imagem e fotografia. Depois mais uma semana filmando e editando.
Um trampo do caralho! O Birigui tinha seus planos - o roteiro, mas a gente escolheu como personagem principal um cara que trabalha com free style. Ele não decorava o texto de jeito nenhum. Ou se decorava não sentia, não fazia sentido nenhum aquelas palavras. Mas ele era o cara que a gente queria pra fazer o personagem Ricardo - o sarrista. Então a gente teve que trabalhar. E o  Kleber, o diretor, teve que desapegar do seu texto, permitir que as palavras se moldassem ao ritmo desses caras. Daí a  coisa foi se tornando cada vez mais verdadeira. A dedicação foi intensa. A convivência e a confiança caminharam juntas. Teve também a Marcella, a mina que cedeu a casa e o espaço pra gente gravar, ela atuou no filme também. No começo a gente achava que a participação dela seria tipo de  figurante, mas ela foi a Paula- o motivo de toda a história do filme, papel quase principal!
E foi louco porque são todos "não atores" e nós "não diretores". Só o que a gente tinha era um roteiro e uma trilha, música da Ment'Ativa que a gente sacou que tinha tudo a ver com os sentimentos que o filme queria passar, intuitivamente. E foi tudo criado junto, um processo altamente coletivo de troca de idéias e vida.
 Agora a gente tem um filme. Um curta de 18 minutos, quase 19 (seria um média?). Feito com uma camera digital e uma equipe de cinco pessoas apoiadas pelos amigos, pelo Hélio do Ferro Velho, o tiozinho seu Laudir - dono do bar; o primo de um dos atores que ajudou na gravação da trilha sonora, meu pai que emprestou umas lampadas de jardim que salvaram a gente e todo mundo que mentalizou energias positivas!
Agora é domingo. Teve a pré-estréia (a estréia de fato vai ser em Corumbá, acho que no Cineclube de lá). Choveu pra caralho. Deixou uma ar de chuva de domingo, aquela preguiça e uma névoa no céu. As ruas todas molhadas, o clima meio amarrado. Acabou com umas dez pessoas de público, lá mesmo na casa da Marcella, público pequeno mas eram os nossos brothers mesmo!
Esquizita essa sensação final. A chuva tá dando o tom de finalização e ao memso tempo recomeço. O cinema tem esse lance de ter um produto final fechado, um dvd pronto pra ser divulgado, mas quem assiste não sente todo o processo como a gente sentiu e viveu. Normal né. Massa é que se pode ter esse tal "produto final" e ver e rever e cada nova olhada um novo sentir, não é não? Eu bem sei disso, já vi tantas vezes aquelas imagens! Dá vontade de fazer tudo de novo e melhor. Mas já foi e o que eu tenho a dizer na verdade é: Valeu Galera! A Culpa Foi Nossa! Agora tem que assumir! Esse é só o primeiro!

Frescura

E mais uma vez você chegou. Ridícula. “que mania é essa de andar como se no chão não pisasse?” madrugada engrenada. O caroço incrustado na garganta , a espinha curvada. Mentiras se tornam almas vagando no espaço do quarto. A esquizofrenia é epidemia moderna.  

meus heróis...

incompreendidos
que destroçam o que fizeram de si
se refazem em quartos solitários. 
os que se alimentam de palavras
se deliciam com o movimento dos olhos
não são exatamente felizes
os que bebem muito
inventores de si mesmo
não sentem culpa mas responsa
aparentemente parados
os que tem um vulcão nos olhos
escutam com a alma
não acreditam quando vê
e voltam a cabeça pra olhar de novo
nada entendem
os que criam e não se escondem
os que somem.

flor...


pra sentir-se futuando...delicadamente solta no ar.

Power on

Tenho mania de escrever umbigo com H. H de humano demasiado umbigo. Foda-se. Quero me soltar. Lembrei do que perdi. Cansada, no fim de noite dos bêbados quase buscando isolamento. Cansei, o cansaço me cria mentiras, me faz acreditar em contos de algum tipo de anticorpos mentais escanadálizados e ativados  pelos assaltos da consciência. Tô com vontade de fumar um cigarro atrás do outro. Não dá. Meu peito pode explodir a qualquer momento, não cabe mais o ar. Não cabe nada, só a lembrança do sábado no sofá. Queria engolir o controle da tv...mas tem sempre um botão de power. É que eu to ligada no foda-se.
Não quero dormir. Acabo de chegar da rua. Tenho essa mania de fugir de madrugada. Emputecer por um gole de cachaça! Sou toda meus caminhos tortuosos. Sou toda meus olhos vermelhos. Sou toda o olhar pro nada. E aquele céu...azul como a cor do infinito. As estrelas me dizendo que o disco voador já partiu a um tempo atrás. A gente é o que sobrou e vai ter que viver aqui: Terra. Melhor seria dizer "território". Acho que é assim mesmo, a gente tem que preencher o tempo, já que o espaço tá cheio, limitado. Então eu vivo...abro o portão de madrugada, sinto o gosto cítrico que vem da brisa gelada, o frio na espinha de quem preprara um segredo e saio.

...

"É porque eu sou uma pessoa altamente insegura. Eu não aguento a minha insegurança...Você acha que eu sou homem o suficiente pra me encarar, bicho? Sozinha com um terapeuta? Eu tenho a minha cabeça, você sabe o que é isso aqui? Eu dou alta é pra minha terapeuta, coitada, ela ia enlouquecer. e depois, eu vou ficar segura, de repente eu não canto. Olha aí a minha insegurança!"



 Elis Regina

da platéia para o palco


Arte, o que é arte? Qual é a pergunta que se quer responder através da sua arte? Da nossa arte? O que estou fazendo ali? E você, que me vê? Se vê?
Encontro com o outro? Formadora da alteridade? Estética? Que tem estética a ver com a sociedade? A Arte está na sociedade? A sociedade faz arte? Porque fazer arte na cidade?
O que você quer? Tudo bem com você? Você está aí?
Vamos todos morrer! Você está aí? Perceba as sutilezas. Nem tudo é o que parece ser. Olhe através do muro. Pronto , acabou? Chegamos ao fim do poço? Tem algo mais? Pronto? Qual a sensação?
Você sente? Você tem sentido?  O que é arte pós-contemporânea? O que é dramaturgia? O que é representação? O que é essa cadeira? O que é você?
Ser ou não ser, ainda é a questão? Eu serei... o que é a cidade? Aglomerado de gente que se bate? Cotidiano? Vida? Habitat urbano? Tudo bem com você?
Onde leva aquela escada? E a curva? Há passagem? Descubra a melhor maneira  de olhar para o céu. Estamos propondo uma nova perspectiva. Você está aí? É diferente? Conhece geometria? Elevação. Eu traço uma linha, perspectiva?
Tudo bem com você?


*Livre recepção do espetáculo “AquiFora”, do grupo O Povo em Pé, em São José do Rio Preto

Assalto

fora de forma. doente. mal segurando minha alma no corpo
aqui em Hollywood
aqui na av. Delongpre onde as enfermeiras vivem
onde diretores de filmes experimentais vivem
onde árvores vivem quentes e tristes sob o sol.

aqui onde as cadeiras de roda descem
deslizando do lar dos idosos.

quanto tempo Chinaski?
quantos amores mais atirados pro alto?
quantas mulheres mais?
quantos dias e anos mais?

dor atravessa as sombras desse quarto
posso senti-la em meus braços,
posso ouvi-la rodar em meu ventilador barato.

lembro de coisas, me levanto e começo a andar
não consigo parar de andar
de um canto a outro do quarto.

já fui um cara contente por estar só.
agora fui violado,
tudo tem seus extremos.

eles me têm – enlouquecido e encurralado.

eles me deixam fora de mim.
estão trabalhando em mim.
o ataque é furioso e implacável
e sem som.
os rios transbordam dos diques.
o sol cheira a queijo queimado;
mil rostos nos boulevards.
Vivo com criaturas cuja existência
não tem nada a ver com a minha.

continuo andando por esse quarto.
mal consigo respirar.

dei um nome para minha dor.
eu a chamo “Assalto”.

Assalto, eu digo, você poderia por favor ir dar uma volta e
e me deixar em paz?
você poderia por favor ir dar uma volta e
ser atropelado por um trem?

meus poucos amigos me acham um cara bem engraçado.
me fale sobre o Chinaski, eles pedem á minha namorada.

ah, ela diz, ele só senta nessa cadeira
e se lamenta.

eles riem.
eu faço as pessoas rirem.

Assalto, eu digo, você quer comer alguma coisa?
você já foi um dia um cavalo de corridas?
por que você não
dorme?
descansa?
morre?

Assalto me segue pelo quarto
ele pula em meus ombros e me sacode.

Lorca levou um tiro na estrada mas aqui
na América os poetas nunca irritam ninguém.
os poetas não jogam.

suas poesias têm cheiro de hospital
onde as pessoas morrem ao invés de viver.

aqui eles não assassinam os poetas

eles nem mesmo notam os poetas.

saio na rua para comprar um
jornal.
Assalto me segue.

passamos por uma garote bonita na calçada.
eu olho em seus olhos. ela me olha
de volta.

você não pode tê-la, Assalto diz, você é um velho,
você é um velho louco.
tenho consciência de minha idade, digo com alguma dignidade.

sim, e consciência da morte também. você vai morrer e
você não sabe para onde está indo
mas eu estou indo com você.
seu cretino detestável, eu digo, por que é que você
gosta tanto de mim?

pego um jornal e volto.
nós o lemos juntos.

ah, meu companheiro!
nós tomamos banho juntos, dormimos juntos,
comemos juntos, nós
abrimos cartas juntos.
nós escrevemos poemas juntos
nós lemos poemas juntos.

não sei se sou Chinaski ou
Assalto.

uns dizem que amo minha dor.

sim, eu a amo tanto que gostaria de dá-la pra você
embrulhada com uma fita vermelha
embrulhada com uma fita vermelha de sangue
pode ficar com ela
pode ficar com ela toda.
eu  nunca vou sentir falta.

estou tentando me livrar dela, acredite
poderia empurrá-la em sua caixa de correio
ou atirá-la no banco de trás de seu carro.

mas agora
aqui na av. Delongpre
nós temos apenas
um ao outro.

CHARLES BUKOWSKI

Que assim seja...

Então foi isso: euforia! E agora sobrou a agonia, pra manter as minhas rimas ridículas. Ouvi que o amor não se faz sem o ridículo, então que seja, euforia-amor-agonia. Tanto se tem falado da paz nos meus dias. Tanto se tem feito dias na minha vida. E a paz, a paz é uma criança risonha, a paz é o baiano na rede, a paz é o silêncio que preserva os momentos mais preciosos.